Dicas

Ana Rízia
4 minutos de leitura
Escrito dia 19/10/2020


Existem pessoas que simplesmente nasceram para fazer discursos, enquanto outras passam terríveis apuros para tentar se comunicar. Sudorese, nervosismo, gagueira momentânea e “dar branco” são sinais que indicam um grande medo de falar em público. Você também é desse time? Caso a resposta seja positiva, temos uma boa notícia – de um certo ponto de […]


Existem pessoas que simplesmente nasceram para fazer discursos, enquanto outras passam terríveis apuros para tentar se comunicar. Sudorese, nervosismo, gagueira momentânea e “dar branco” são sinais que indicam um grande medo de falar em público. Você também é desse time?

Caso a resposta seja positiva, temos uma boa notícia – de um certo ponto de vista, é claro. Falar em público é o maior medo da humanidade, revela a especialista em comunicação e inteligência comunicativa, Tatiana Vial. Portanto, ninguém está sozinho quando bate o pânico antes de uma apresentação, seja ela online ou presencial.

“Costumo perguntar para muitas pessoas se a preferência delas é falar presencialmente ou em uma videochamada. As respostas variam, mas o fato é que fazer uma apresentação, seja em qual caso for, é uma das ocasiões em que nós, seres humanos, experimentamos uma altíssima vulnerabilidade.”

Segundo ela, a sensação experimentada diante dessa situação pode ser comparada com pular com paraquedas de um avião sem saber se ele vai abrir.

Controle das emoções

As emoções acionadas durante a apresentação são as mesmas de quando estamos em perigo real. No entanto, não são irremediáveis. Pessoas que são boas em fazer discursos também sentem medo de falar em público, mas sabem como lidar com isso.

Então, ter domínio do emocional é só uma forma de se “aquecer” para conseguir se expressar. E não adianta fugir das emoções nessa hora, pois elas estão na base da nossa comunicação, até mesmo em conversas simples. 

Além disso, não existe uma forma de ganhar autoconfiança automaticamente. Para Tatiana, o pior inimigo de alguém que está perto de fazer um discurso é a própria pessoa, e não a audiência, por mais desafiadora que ela possa ser.

“A boa notícia é que existem formas de lidar com isso e tudo graças à natureza, que nos deu parte de um cérebro racional com o qual a gente governa e domina nossas reações diante dessa situação de vulnerabilidade”, explica.  

Eu gosto e confio?

Ao ouvir alguém falar, inconscientemente nos questionamos sobre isso, até mesmo em situações mais banais, como em qualquer conversa nova.  

É por isso que estamos o tempo todo prestando atenção não só na fala, mas também em outros aspectos da comunicação, verbais e não verbais. “O fato é que, no início de uma apresentação, precisamos trazer elementos que levem a audiência a responder sim para gostar e sim para confiar em nós e no que falamos”, ressalta Tatiane

Para ela, gerar credibilidade vai além de demonstrar simpatia, por exemplo. É preciso provocar, acima de tudo, dois tipos de conexões com a audiência: a racional e a emocional.

Mas como conseguir esse tipo de encantamento? Ainda mais em apresentações online?

Primeiro, basta lembrar que uma conexão é criada com uma história familiar, ou algo que evoque a imaginação. Ao falar em público, o orador pode contar para a audiência algo que aconteceu com ele antes mesmo de iniciar a palestra, ou fazer uma pergunta que realmente tire as pessoas do transe de estar em espera para começar a prestar atenção no conteúdo falado.

Isso também pode ser repetido durante a apresentação, para evitar cansaço e desvio natural da atenção.

Significado

Apresentações podem ser mais do que simples slides ou abordar um assunto chave em frente a uma plateia. Às vezes, ela também pode acontecer em conversas individuais, ou até mesmo por telefone, quando precisamos convencer alguém sobre qualquer coisa.

Apesar de parecer uma forma ultrapassada de falar sobre uma apresentação, a oratória é um estilo de retórica, com objetivo macro de convencer a audiência em relação ao conteúdo apresentado. Nada mais é do que persuasão.

“Aristóteles estudou muito a oratória e tem um conselho válido até hoje: a oratória, para ser persuasiva, precisa estar apoiada nos pilares Ethos, Pathos e Logos”, comenta Tatiana.

O significado para Ethos está relacionado à imagem do apresentador e credibilidade transmitida por ele. Enquanto isso, Pathos é a conexão emocional com a audiência, que pode ser gerada a partir do método do storytelling, organizando o conteúdo de uma apresentação como se fosse uma história com começo, meio e fim.

Finalmente, o terceiro pilar, Logos, é a conexão racional, em que informações fundamentam todas as falas da apresentação. Junto a tudo isso, é importante ter bem definido o objetivo de se falar em público, ou seja, para onde as pessoas que estão assistindo serão conduzidas.

“Para apresentações no ambiente online, principalmente as transmitidas ao vivo, o apresentador tem que colocar o público no seu tempo. Por isso usar interações gera mais atenção das pessoas e mostra que o tempo delas tem valor durante a exposição”, reforça Tatiana.

Dicas para uma boa apresentação online

Lembrando que os desafios da oratória ao vivo são a baixa oportunidade de interação, o espaço reduzido para sinais não verbais e a dificuldade em sustentar a atenção do público, Tatiane trouxe alguns conselhos para falar em público nessa modalidade.

  • Fazer uma interação inicial com check-in de como acontecerá a apresentação;
  • Usar outras formas de comunicação não verbal, como olhar para a câmera, articular bem as palavras, fazer pequenas pausas e dar ênfase em algumas partes da fala;
  • Promover a escuta online, com interação e socialização, além de uma caixa de perguntas para serem respondidas no fim da apresentação, por exemplo

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