Saiba o que é o PRA (Programa de Regularização Ambiental)

Importante para todo proprietário de imóvel rural, o PRA (Programa de Regularização Ambiental) é apenas uma das etapas necessárias para regularizar esse tipo de propriedade. Mais do que ninguém, quem possui imóveis com essas características precisa ficar atento aos requisitos das leis ambientais, que buscam regularizar, recuperar ou compensar as Áreas de Preservação Permanente (APP), de Reserva Legal (RL) e as de Uso Restrito (UR).

Antes mesmo de passar pela avaliação de órgão ambiental estadual responsável, o imóvel precisa estar inscrito no CAR (Cadastro Ambiental Rural). Com a adoção do PRA, o dono de imóveis rurais terá benefícios em maior parte relacionados à garantia de acesso ao crédito rural, uma vez que o PRA será um requisito cada vez mais presente nas instituições financeiras.

As ações dentro do programa não são obrigatórias e podem ser sugeridas pelo proprietário, que deve cumprir o acordo. Caso contrário, ficará sujeito a multa ou suspensão, como sanções administrativas. Isso significa que, ao se comprometer, os serviços prestados poderão ser convertidos em melhorias na preservação e recuperação do meio ambiente, assim como na consolidação do imóvel rural.

Detalhes de regulamentação  

Para aderir ao PRA, o proprietário precisará apresentar o Prada (Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas ou Alteradas) e, se aprovado pelo órgão estadual, ele poderá assinar o termo de compromisso e fazer a regularização por meio de restauração, regeneração natural ou compensação dos passivos.

A regularização de APPs pelo o Código Florestal permite fazer o restauro com o plantio de espécies nativas que pode acontecer junto com a regeneração natural e o plantio intercalado com metade de espécies nativas e metade de exóticas (para os imóveis pequenos).

Já em RLs, os proprietários podem aplicar o processo de restauração com plantio de espécies nativas, intercalando nativas e exóticas, regenerando área desmatada e por meio de compensação. No caso da compensação, ela pode ser feita de várias maneiras, com a doação de área ou aquisição de Cotas de Reserva Ambiental (CRA), por exemplo.

Para conferência do que vale ou não dentro de uma propriedade, as seguintes regras acontecem:

APP – Não podem ser utilizadas na exploração econômica e são destinadas à preservação do solo e dos cursos d’água.

RL – Área coberta por vegetação natural que pode ser explorada de forma sustentável, nos limites estabelecidos pelo bioma onde está o imóvel. Na Amazônia legal, os imóveis devem ter um total de 80% de RL nas áreas de floresta e 35% nas áreas de cerrado. Nos outros biomas, esse percentual é de 20%.

UR – Áreas de pantanais, planícies pantaneiras, áreas com inclinação entre 25º e 45º e áreas da zona costeira ocupadas por apicuns e salgados.

Principais benefícios do PRA

A adesão do PRA entre a publicação da Lei n°12.651/12 e a implantação do programa nos estados brasileiros e no Distrito Federal obriga o proprietário a cumprir o termo de compromisso e, em troca, ele não poderá ser autuado por infrações cometidas antes de 22 de julho de 2008. As infrações são aquela relativas à eliminação irregular de vegetação em APPs, de RLs e UR. 

A assinatura do termo de compromisso para regularização também suspenderá a punição por crimes previstos nos arts. 38, 39 e 48 da Lei n° 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, desde que o termo e ações previstas estiverem sendo cumpridos.

Além disso, atividades econômicas realizadas no imóvel podem continuar acontecendo, sendo elas ecoturismo, turismo rural e atividades agrossilvipastoris em áreas de APP, onde deve ser preservado ou restaurado apenas uma faixa próxima ao curso d’água, seguindo a exigência da Lei 12.651/2012.

Obrigações  

Ao aderir ao PRA, os responsáveis pelo imóvel rural deverão apresentar propostas de recuperação do passivo ambiental da propriedade para a aprovação dos órgãos competentes e assinatura de termo de compromisso.

É importante lembrar que, ao adquirir um imóvel, o proprietário passa a ter a obrigação de recompor ou compensar a RL, ainda que a retirada da vegetação nativa não tenha sido feita por ele. Por isso, antes de comprar uma propriedade ele pode verificar a certificação de pendências ambientais.

Outro ponto importante é que as vantagens do PRA não estão somente voltadas para quem tem passivos ambientais, mas se estende também para aqueles que não possuem déficit de APP e RL.

Esse e outros temas você acompanha no curso de Regularização Ambiental, da Plataforma Solution.

Pode comer tranquilo, sua comida não está envenenada

O mito da “comida envenenada”, propagado vez ou outra por algum cientista do Projac ou influencer metido a toxicologista, por mais um ano vem caindo por terra. Em dezembro de 2019, foi divulgado o relatório mais recente do PARA, o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos. Um belíssimo trabalho coordenado pela ANVISA, realizado desde 2001, que avalia a qualidade dos alimentos de origem vegetal que chegam à mesa das famílias brasileiras. Posto de outra forma, é ele que indica – pautado em uma sólida base científica, alinhado com padrões internacionais – se tem ou não veneno na sua comida.

Apesar de público e com notável evolução na didática de apresentação, com versão ilustrada e resumida, a abrangência da divulgação dos resultados é tímida. Comparativamente a um post de um famoso, pode-se dizer ridícula. Em rede nacional, o desempenho também é pífio. Talvez o único momento em que o estudo teve certo protagonismo (e adivinhe, negativo! Ah vá!) foi em 2011, quando de maneira irresponsável, sem as devidas explicações, com viés ideológico, criando mais uma falácia, então técnicos da ANVISA apontaram que cerca de um terço dos alimentos estava contaminado. Quem mais pagou a conta foi o pimentão, lembra? O campeão de agrotóxicos.

Diante deste contexto, com o intuito de colaborar para que a real informação chegue ao consumidor, decidi escrever este artigo, apresentando os últimos resultados do trabalho, inclusive, contrastando uma evolução histórica. Antes de iniciar, breves considerações:

1.      Visando trazer mais didática ao conteúdo, mudei um pouco a classificação dos resultados, afinal, o que o público geral vai entender é: pode comer ou não? Tem veneno ou não tem? Neste sentido, agrupei os indicadores em: pode comer tranquilo e é necessário melhorar. Ao longo do texto vou explicar o que está dentro das respectivas classificações bem como os motivos que me levaram a colocá-los lá.

2.      Os números apresentados foram arredondados automaticamente pelo Excel, prevalecendo apenas o número inteiro. Por isso, os resultados aqui apresentados diferem sensivelmente do trabalho oficial, de modo que, caso você queira ter ciência do número exato, basta dar uma olhadinha lá.

3.      Apesar de o estudo ser realizado desde 2001, apenas a partir de 2009 consegui identificar de forma clara e padronizada os detalhamentos da maior parte dos indicadores de resultado. Dessa forma, minha análise começa a partir daí.

4.      As periodicidades de coleta/divulgação dos resultados, em função da evolução do trabalho, não são uniformes, sendo que há uma “quebra” na série temporal – especificamente a partir de 2013 – passando de amostragens anuais para ciclos plurianuais.

5.      Em função dessa plurianualidade, os resultados mais recentes referem-se a 2017/2018, sendo o primeiro ciclo do plano 2017-2020. Portanto, os resultados são preliminares (por isso o “*” nos gráficos), contando com a presença de 14 dos 36 alimentos previstos para avaliação. Uma amostra de 4.616 unidades das 16.667 que se pretende realizar (38% a mais do quando comparado ao último levantamento, 2013/2015).

Indo direto ao ponto, a Figura 1 ilustra o principal resultado da análise: seus alimentos continuam sendo seguros, pode consumi-los com tranquilidade. Pelo menos, em cerca de 94% dos casos. Com destaque ainda para o termo “continuam”, afinal, o elevado patamar de qualidade e segurança não é novidade, com registro médio nos últimos 10 anos em torno de 96%.

Sensacionalistas ideológicos de plantão podem balbuciar que o índice piorou, caindo 3 pontos percentuais em comparação ao último levantamento, sendo válido lembrar o item 5 de minhas considerações.

Segurança dos alimentos de origem vegetal no Brasil

Em uma análise mais detalhada da parcela do “pode comer tranquilo” (Figura 2), veremos que a participação relativa do “ausente de resíduos” foi a maior na história do levantamento (2009 não foi apresentado por falta de padronização de dados), de modo que 49% das amostras estavam livres de resíduos de agrotóxico.

Você deve estar pensando: “o Botão está louco! Ele acabou de escrever que posso comer com segurança 94% dos meus alimentos e em seguida diz que apenas 49% estão livres de resíduos. Como assim?”.

É isso aí mesmo meu amigo. Em uma analogia, nadar em uma piscina com cloro é completamente diferente de beber o produto. Existem níveis toleráveis. Alimento seguro, garantindo tranquilidade ao consumidor, não significa necessariamente estar livres de resíduos de defensivos.

Pode comer tranquilo (%)

O conceito de segurança não está atrelado a ausência de resíduos, mas sim da quantidade máxima de produto que você pode ingerir “sem dar algum pau”. O nome técnico disso é Limite Máximo de Resíduo (LMR) e, apesar do termo “máximo” chamar atenção, pode ficar despreocupado, pois as quantidades consideradas são mínimas, expressas, mg/kg. Eu sei, meio chato de entender. Mas para se ter uma ideia, é 0,000001 kg de agrotóxico para cada 1 kg de alimento. Traçando um paralelo, um grão de arroz pesa 0,0000273 kg, cerca de 27 vezes mais que o máximo. Ou seja, muito, muito, muito… pouco. Não pretendo entrar no detalhe, se não vou desvirtuar o propósito do artigo. Mas, caso tenha interesse, recomendo assistir o vídeo “A Calculadora do Veneno“.

Voltando para a análise dos dados, observa-se que a participação da amostra cujos registros ficaram dentro dos limites aceitáveis foi de 28% no último levantamento, o menor valor já registrado. O que foi bom, já que realizando-se uma análise em conjunto, pode-se concluir que majoritariamente houve uma migração da participação relativa de “no limite permitido” para “sem resíduos”. Ou seja, passou-se do “muito, muito, muito… pouco” para “nada”. E só não coloquei ótimo porque as inconformidades aumentaram 3% (alerta de spoiler!, isso será discutido mais pra frente), roubando, infelizmente, um pouco dessa migração.

“Pois bem Botão, 49 + 28 = 77. E os outros 17% para chegar aos 94% seguros, foram parar onde?”. Então, é aqui, meu querido leitor, que está o grande ponto de confusão. O calcanhar de Aquiles do pimentão em 2011. Esses 17%, no caso de 2017/2020, são referentes a amostras que foram identificados defensivos não autorizados para a cultura, mas cujos valores de resíduos ESTÃO DENTRO DOS LIMITES ACEITÁVEIS.

No caso do pimentão, não é que os resíduos estavam inaceitáveis, mas sim que o produto utilizado não estava autorizado para uso na cultura. O registro valia para o tomate e não para o pimentão, que pertence à mesma família vegetal, a Solanaceae e, portanto, estão sujeitas às mesmas pragas. Em uma analogia grosseira, imagine condenar um tipo de pão que utilizou de um fermento autorizado apenas para outro tipo de pão. Concorda que se fosse “para dar pau”, ia dar pau no pimentão, tomate, no pão 1, no pão 2, etc…?

Portanto, não foi uma questão de segurança e de risco à saúde, mas sim de burocracia. O problema é que no trabalho original, essa parcela é considerada “amostra insatisfatória”, apresentando inconformidade. Agora imagine essa terminologia e esses índices nas mãos erradas. É aquela história: é possível dizer um monte de mentiras falando apenas verdades. Talvez a única coisa boa que aconteceu neste escândalo do pimentão foi a chamada para agilizar o processo de registro. Não coincidentemente, a parcela do “não autorizado para a cultura” caiu de 32%, em 2011, para 17%, já em 2013/2015, patamar mantido até então. Uma proporção que deve continuar caindo com a evolução e celeridade dos registros.

“Beleza Botão, entendido! Mas e o restante? Os outros 6%? Essa é a chance que tenho de comer um vegetal e cair duro na mesa?”. NÃO! Até porque se fosse isso verdade, provavelmente já teria acontecido, considerando a quantidade de vezes que você ingere um vegetal (no caso da minha filha de 9 anos, não há chance de que isso ocorra). Então vamos entender o que compõe o valor (Figura 3), lembrando da minha consideração número 2, sobre o arredondamento dos números.

Precisamos melhorar (%)

Deste montante, 2,30% referem-se à detecção de resíduos em níveis superiores ao máximo permitido, enquanto os outros 3,40% são produtos proibidos no Brasil (0,5%) e registros de mais de uma inconformidade de maneira concomitante (2,9%).

Porém, estar acima do limite, não significa necessariamente que você vá passar mal. Significa que os limites foram ultrapassados, mas não que o “pau” seja certo. É como trafegar em uma determinada rodovia em velocidade superior à permitida. Não haverá obrigatoriamente problemas, mas os riscos, sem quaisquer dúvidas, aumentam.

No caso dos defensivos agrícolas, estes riscos são medidos sob duas óticas temporais: agudo e crônico. O primeiro é se você comer grandes quantidades de um vegetal, com presença integral de resíduos acima do LMR, em um prazo de até 24 horas, enquanto o segundo leva em consideração o consumo durante a vida toda.

“Ok. E o que são grandes quantidades?”. Vamos a um exemplo. No caso do fungicida Ciproconazol (diga-se de passagem, o mesmo princípio ativo de remédios utilizados para doenças fúngicas, como micoses), uma pessoa de 90 kg precisaria comer, dentro de 24 horas, 2 kg de maçã integralmente contaminado para que haja risco agudo de exposição e “dê algum pau”.

Como você pode notar, destaquei o “integralmente”, o que exige que todo o material a ser consumido esteja com resíduo acima do máximo permitido. Toda essa minha repetibilidade chata é para lhe dizer que, na prática, de acordo com o último levantamento – 2017/2020, o risco agudo aferido para todos os resíduos detectados foi de 0,89%!

Portanto, substituindo o “integral” da continha acima pela estatística real, seria necessário a ingestão 253 kg de maçã para que o limite fosse colocado a prova e o risco agudo se tornasse uma realidade. É por isso que nunca, no mundo todo, foi diagnosticado uma sequer morte pela ingestão de resíduos de agrotóxicos em alimentos convencionais.

Por favor, preste atenção no motivo! Não estou dizendo que nunca houve morte por agrotóxico. Estou dizendo que nunca houve morte por resíduos em alimentos. Ingestão indevida e outros causos não estão contemplados na afirmação, de modo que não pretendo entrar em detalhes neste artigo. Caso queira maiores informações, acesse a plataforma do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox).

“Beleza, Botão, já entendi que é mais fácil eu morrer de tanto comer determinado alimento do que por eventuais resíduos presentes nele. Mas e o consumo ao longo da vida? Isso não vai se depositando?”. Não! O seu corpo processa e elimina eventuais resíduos. Caso contrário, pense bem, haveria imunidade a diversos problemas, afinal, seria criado ao longo da vida um repositório de ingrediente ativos no seu corpinho. Muitos deles, como já exemplificado, utilizados em remédios, o que inutilizaria alguns medicamentos. Utilizando do jargão de meu amigo Nicholas Vital: defensivos agrícolas são os remédios das plantas e não vacinas. Quem dá longevidade é vacina, não remédio. Não há residual.

Mas para que minha argumentação não fique agronomicamente romântica demais, vamos a números. Segundo resultados do último relatório, o risco com potencial crônico foi ZERO! Ou seja, nenhum, nada, qualquer, inexistente! Aliás, na história do PARA, nunca foi detectado risco crônico que não diferente de ZERO. Dessa forma, qualquer historinha que você tenha ouvido de morte, câncer, criação de três braços ou qualquer outra aberração por consumo de alimentos convencionais, submetidos a aplicação de defensivos, é mentira.

Os resultados do Brasil no que diz respeito a segurança dos alimentos continuam sendo satisfatórios. Não existem dúvidas de que ainda existem espaços para melhorias – com avanços tecnológicos e contínua capacitação e conscientização do produtor rural – afinal, 95% não é 100%. Mas não podemos negar que este é um país onde muitas vezes as narrativas não correspondem aos fatos. Ainda mais quando os espectadores tendem a dar mais ouvidos a locutores sem qualquer conhecimento ou embasamento científico, que distorcem realidades e as transformam em fábulas ideológicas. Sendo assim, estimule seu senso crítico! Procure fontes confiáveis de informação e… continue comendo tranquilo, você não está sendo envenenado.

João Rosa (Botão) é professor do Pecege e idealizador do canal do Youtube Botão do Excel.

Como se tornar autoridade no agronegócio com a agricultura 4.0

O conceito de hiperconectividade é a base da agricultura 4.0 e retrata um cenário integrado de tecnologias, com ferramentas e programas interligados. A era da informação e conexão também chegou ao agronegócio para unir dois extremos da cadeia produtiva.

De um lado está o produtor, que pensa na agricultura 4.0 como uma forma de melhorar seus negócios e aceita os desafios que essas novidades trazem para dentro da porteira. Do outro lado estão os agentes de inovação do setor, que possibilitam a gestão das tecnologias.

Nesse cenário, conhecimento e informação estão ainda mais acessíveis, mas também fica mais complexo identificar o público e adaptar linguagem para uma comunicação estratégica que garanta boa oportunidade de destaque para sua marca no agronegócio.

Conexão

Nos últimos anos, o agronegócio aumentou a presença no universo digital, com produtores cada vez mais conectados. Por isso, estar na internet e conseguir certa relevância ou autoridade online são essenciais para o sucesso da sua marca.

E é nisso que a agricultura 4.0 se baseia. A estratégia deve estar ancorada nas plataformas digitais, que oferecem interação, comunicação rápida, compartilhamento de informações e fotos e atendimento ao cliente de forma mais confortável, prática e, algumas vezes, até instantânea.

Com toda essa conectividade, a dica é apostar na produção de conteúdos que gerem interação e geram oportunidades de negócios. Quando sua empresa entrega conteúdo relevante, forma-se uma rede de relacionamento com os usuários, conquistando a confiança de potenciais clientes e tornando-se referência na área.

As possibilidades da agricultura 4.0 incluem, por exemplo, boas produções audiovisuais para apresentar um produto, máquina ou até uma safra inteira. E tudo isso pode ser construído com equipamentos simples, mas com qualidade, como os celulares atuais.

Conteúdo

Mesmo com toda essa modernização do setor, ainda tem muito espaço para conteúdo sobre conectividade ou que detalhem melhor as novas técnicas e tecnologias. Boa parte do agronegócio ainda está no campo e ainda tem muito para “urbanizar”.

Assim, esse tipo de conteúdo se torna muito relevante para quem ainda tem dificuldade de acesso ou de acompanhar todas as novidades do setor. Esse é o momento de apresentar soluções, sobretudo se elas forem parte da sua marca.

É importante mostrar todas as possibilidades, especialmente sobre conectividade, um assunto bastante em alta na agricultura 4.0 e que confere autoridade. 

Dados

Não é à toa que muitos especialistas dizem que vivemos na era da informação. Nunca foi tão importante e fácil coletar, armazenar e tratar os dados, tanto internos quanto externos.

Então, ferramentas que facilitam essas atividades da agricultura 4.0 são vistas com bons olhos, inclusive quando relacionadas às soluções que podem ser oferecidas ao profissional do agronegócio.

Uma sugestão é oferecer cursos e aprendizagem online, como é o caso da Plataforma Solution, a fim de capacitar e facilitar essa captação de dados. Tudo isso proporciona mais conhecimento ao produtor, que pode identificar novas possibilidades.

Debates

Entender que sua marca não é a única fonte de informação também é algo importante na agricultura 4.0. É por isso que promover e participar de debates e bate-papos são boas ideias para movimentar o setor e colocar sua empresa à frente dos temas discutidos.

Você já conhecia a agricultura 4.0? O que achou da novidade?

O que esperar da pecuária de corte do futuro?

Forte e moderna, a pecuária de corte do futuro está se estruturando no minuto em que você lê esta matéria. O crescimento e amadurecimento do setor vem com o aumento do uso de tecnologias e com o distanciamento de alguns conceitos passados.

Para ajudar a entender o contexto e as possibilidades de mudança, o professor Thiago Bernardino, do curso de Gestão de Custos da Cadeia Pecuária de Corte, participou do webinar A Pecuária do Futuro: Um Diagnóstico de Mercado.

Antes de tudo, é preciso saber que a pecuária de corte do futuro engloba toda a cadeia: insumos, sanidade, nutrição, genética, pastagem, transporte, produção dentro da porteira, etapas pós-porteira, indústria frigorífica, consumidor, varejo, atacados, traders, além de ONGs (Organizações Não-Governamentais), governo, universidades e sociedade.

É por isso que a sustentabilidade é uma das características desse setor e deve estar presente em três grandes pontos:

  • Sustentabilidade econômica: determina o futuro das propriedades voltadas para a pecuária. Assim como as empresas e indústrias, sem retorno financeiro, elas podem decretar falência, ser arrendadas e até migrar para outras culturas.
  • Sustentabilidade social: a sociedade recebe retorno e enxerga os benefícios que a propriedade devolve para a comunidade em que está instalada, como geração de empregos e divisas.
  • Sustentabilidade ambiental: além da preocupação ambiental, o ambiente da fazenda também deve ser sustentável, com funcionários satisfeitos e respeito às pessoas e natureza. O ambiente dos negócios e a relação produtor-indústria precisa ser transparente para desmistificar alguns temas e se tornar um mercado de pecuária mais claro.

Os últimos anos

“Se fizermos um paralelo com a indústria automobilística, a pecuária seria a indústria de desmontagem. Isso significa que um produto pode se transformar em mais de 400 outros”, exemplifica Bernardino.

Este contexto fez surgir a necessidade de um bom produto, com pagamento e premiação melhores, mudando diretamente o mercado. O frigorífico, por exemplo, não consegue transformar um boi ruim em uma carne boa. Mas, se não tiver qualidade de conservação e manuseio, pode transformar um boi bom em uma carne ruim.

O professor ressalta que isso ocorre também em outras culturas. “Até uns tempos atrás, o leite recebia prêmio por proteína, por exemplo. Hoje a maioria é por volume mais padronizado e homogêneo, independentemente se tem mais de gordura ou proteína.”

Padronização

“Não existe mais carne disponível no mundo”. Essa fala do professor abriu discussão a respeito da padronização da carne brasileira, que tem diferentes mercados para atingir.

“O mercado interno representa de 75% a 80% do mercado da pecuária de corte. Contudo o externo vem aumentando a demanda pela nossa carne. Exportamos carne, até agosto de 2018, para 120 países. Em 2019, já são mais de 140. Por isso, é preciso entender tanto o consumidor quanto a indústria e o varejo”, comenta.

Para exemplificar melhor, Bernardino fala sobre a Argentina, que produz carne, mas tem limite geográfico e passou por um fechamento de governo, assim como o Paraguai. A Austrália e os EUA (Estados Unidos da América) são grandes competidores, mas passam pelo processo de exportar demais e inflacionar o mercado interno ou acabam abrindo mão desse mercado.

Assim, o cenário é muito favorável para o Brasil na pecuária de corte do futuro. “Dolce Gusto, Starbucks e cervejas artesanais são alguns exemplos de que o consumidor busca por padronização, experiência e novidade. Mesmo que não consiga consumir sempre porque paga mais por isso.”

Quebrando paradigmas

Mas como se preparar para este futuro? Para Bernardino, a resposta está na quebra de paradigmas. “A primeira grande quebra ocorreu em 2017, com a abertura de capital de grandes empresas. Isso levou à profissionalização de negociações e redução de custos de transações”, explica.

A segunda quebra absorve o produtor. Com o aumento da renda per capta há maior consumo de proteína animal, especificamente carne bovina. Tanto que as butiques de carne que surgiram não são butiques de frango. O brasileiro passou a demandar mais qualidade e a indústria foi forçada a oferecer produtos padronizados e diversificados.

“O açougueiro não consegue mais enganar o consumidor. Em vez de carne de primeira ou de segunda, agora é boi de primeira ou de segunda. O melhor exemplo disso são as redes de fast food que oferecem lanche de angus (uma raça de bovinos)”, comenta.

Já a terceira – e maior – transformação foi dentro da porteira e serve com um diagnóstico da produção. O mercado pode ser dividido em classes que consomem carne a partir do preço e classes que consomem com base no padrão, qualidade e maciez. E existe mercado para esses dois tipos de consumidores.

A dica de Bernardino é investir, simultaneamente, em quatro pilares: genética, nutrição, sanidade e pasto. Não adianta investir em um só.

Principais desafios

Para concluir, Bernardino explica que a pecuária de corte do futuro é eficiente, estratégica, clara e parceira da sociedade, com produtos bons, bem-estar animal e preservação do meio ambiente. Ele ainda elenca os principais desafios.

  • Comunicação: a propriedade precisa se abrir. “Aeroportos colocam vidros para vermos o transporte de nossas malas. Os restaurantes abrem espaço para conhecermos as cozinhas. É preciso fazer esse marketing para o consumidor, mostrar retorno social, preservação e benefícios para funcionários.”
  • Modismos: algumas pautas mais polêmicas precisam ser tratadas com estratégia e inteligência para mostrar a realidade da pecuária.
  • Gestão: o produtor precisa ter controle das informações para aliar tecnologias e ferramentas. Sem esquecer, claro, de uma boa gestão de custos, preços, RH (Recursos Humanos), ambiental entre outras.
  • Câmbio: o aumento do dólar ajuda na exportação da carne, mas encarece produtos importados, como insumos e medicamentos.
  • Grãos: a safra de grãos está muito boa e a oferta dos EUA está menor. Por isso vamos exportar mais produtos como milho. “A dica é fazer conta e planejamento: se a tendência são custos mais elevados, devemos pensar em economia produzindo mais.”

Se você perdeu o webinar, não se preocupe. Confira o conteúdo completo sobre pecuária de corte do futuro aqui.

A Plataforma Solution tem cursos da área de Agronegócios.

Fique de olho nos próximos webinars da Plataforma Solution!  

5 tecnologias de pecuária para ficar de olho em 2020

As empresas que estão em constante atualização já sabem que inovações como a IA (Inteligência Artificial) e a IoT (Internet of Things, ou Internet das Coisas) estão aprimorando o agronegócio. Neste contexto, as tecnologias de pecuária ficam ainda mais presentes em 2020.

Quem detalha melhor esse cenário é Thiago Bernardino, professor do curso de Pecuária de Corte da Plataforma Solution. “O setor agrícola está em plena transformação e as empresas e produtores devem se adaptar às novas dinâmicas da agropecuária para manter sua relevância no mercado”, comenta.

Pensando nisso, o professor indicou cinco tecnologias de pecuária que serão diferenciais em 2020.

Suplementação estratégica

Aumentar a produtividade e a qualidade do produto de forma sustentável é um dos desafios que a pecuária enfrenta nos últimos anos. De acordo com Bernardino, a reposta pode estar na suplementação estratégica.

“Melhorar o manejo nutricional durante todo o ano, nas diferentes épocas e etapas da vida do animal, é uma solução para elevar a produtividade do sistema”, explica o professor. “O objetivo é adaptar a genética do rebanho com ganhos de peso mais rápidos, utilizando uma alimentação de alta tecnologia.”

Aumento da IATF

Bernardino explica que a IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) é uma das tecnologias de pecuária e ajuda na padronização e planejamento do rebanho da fazenda.

“A técnica utiliza genética de ponta e é um dos setores da pecuária que mais cresce no Brasil, com estimativa de aumento de 20% ao ano. Porém, essa prática exige certa infraestrutura para realização dos procedimentos, assim como aquisição de insumos e capacitação de mão de obra”, detalha o professor sobre o investimento nesse método.

Aplicativos de controle e gestão

O controle de gado e a gestão de informação dentro da propriedade são práticas cada vez mais recorrentes no agronegócio. Isso porque os aplicativos estão mais completos e entregando resultados de forma mais eficiente. Confira 5 aplicativos que todo profissional do agro deve conhecer.

“É fundamental, na pecuária, saber usar todas as informações coletadas da atividade, para maximizar lucros e minimizar perdas. Atualmente contamos com várias possibilidades de obter informações direto da palma da nossa mão”, comenta Bernardino.

Ultrassom animal

Mensurar com mais precisão as características dos animais é um dos objetivos das tecnologias de pecuária. O ultrassom é uma técnica viável e não invasiva de identificar, por exemplo, doenças e sexo na gestação.

O professor ainda explica. “Outro benefício de utilizar mais o ultrassom é que a prática revela, também, o índice de gordura animal, podendo ser utilizado para aprimorar a produção de carne e leite em época de avanço no mercado internacional.”

Inteligência Artificial para comercialização

Segurança e transparência nas comercializações entre produtores e frigoríficos já é uma exigência entre as duas partes. Assim, a IA pode ser usada para facilitar as relações.

“A negociação de gado pode ficar ainda mais equilibrada e confiável com o uso da das tecnologias de pecuária para análise de rebanho e preços de mercado”, explica.

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Conheça as principais modalidades de seguro rural

O cenário brasileiro ainda é pouco desenvolvido quando falamos de modalidades de seguro rural. Contudo, o setor é muito suscetível a riscos, por isso essa opção de garantia é uma forma de manter a atividade financeiramente estável.

Eventos naturais diversos, ligados ao clima e pragas, por exemplo, são responsáveis pela exposição do setor rural a ameaças financeiras. Tudo isso fez com que o governo brasileiro incentivasse esse tipo de seguro por meio de legislação.

Quer saber mais? Então confira as principais modalidades de seguro rural, detalhadas por Lucas Magro Koren, membro do Geser (Grupo de Estudos em Gestão de Seguros e Riscos da Esalq/USP).

Seguro agrícola

Para se blindar dos eventos adversos, Koren cita o seguro agrícola como modalidade destinada às perdas na atividade rural. “A justificativa para essas perdas podem variar, assim como o Limite Máximo de Indenização (LMI)”, explica.

O LMI pode seguir diferentes métricas, elencadas por Koren:

  • Seguro de custeio: LMI calculado com base no valor desembolsado ao custeio da lavoura assegurada;
  • Seguro de produção (produtividade e preço): LMI calculado com base na promessa de produtividade na área assegurada multiplicada por um preço estabelecido no momento da contratação da apólice;
  • Seguro de faturamento ou receita: LMI calculado com base no faturamento a ser obtido com a produção, considerando a produtividade estimada e o preço do produto no mercado futuro.

Seguros patrimoniais rurais

O patrimônio do produtor rural está em constante exposição às inúmeras formas de depreciação e perda. Por isso, como ele é utilizado durante todo o processo produtivo da área, é importante garantir, em caso de alguma fatalidade, a reposição dos bens e manter a continuidade da exploração agrícola.

Koren divide essa modalidade de seguros rurais em duas categorias. “As duas opções são destinadas ao patrimônio em si, como máquinas e implementos e construções rurais. A diferença está nos produtos armazenados”, destaca.

  • Seguro de penhor rural: voltado ao patrimônio agrícola e produtos armazenados vinculados como garantia de operação de crédito rural;
  • Seguro de benfeitorias e produtos agropecuários: voltado ao patrimônio agrícola e produtos armazenados que não estejam vinculados como garantia de operação de crédito rural.

Seguro de vida do produtor rural

Uma das modalidades de seguro rural está relacionada ao produtor rural. Koren justifica que ele é o responsável por conseguir crédito para custeio ou investimento da atividade agrícola.

“Por isso, em caso de morte ou invalidez, o produtor rural garante, com essa modalidade, a liquidez de suas dívidas, proporcionando mais tranquilidade e segurança para sua família”, ressalta. 

Bônus: outras opções

Outras modalidades de seguro rural são menos conhecidas, mas também podem ser utilizadas no agronegócio.

  • Seguro pecuário: cobre danos diretos e indiretos aos animais destinados ao consumo, produção, trabalhos destinados à sela, trabalhos por tração, transporte e reprodução (incremento de planteis – animais reservados exclusivamente para procriação);
  • Seguro aquícola: indeniza morte e demais riscos inerentes a animais aquáticos, como peixes e crustáceos;
  • Seguro de florestas: paga indenização sobre riscos em florestas em formação ou formadas, em perdas decorrentes de incêndio, eventos biológicos e meteorológicos;
  • Seguro de Cédula de Produtor Rural (CPR): garante ao segurado o pagamento de indenização em caso de não cumprimento comprovado, por parte do produtor rural, das obrigações estabelecidas na CPR.

Legislação

Pela deficiência do mercado nessa área, Koren explica que o governo brasileiro criou o Programa de Subvenção ao PSR (Prêmio do Seguro Rural) e passou a conceder subsídio econômica ao prêmio (valor) das modalidades de seguro rural.

Isso significa que a lei 10.823 de 2003 facilitou a contratação de apólices para o produtor rural, já que o Governo Federal arca com uma parcela dos custos do contrato.

A responsabilidade pela formulação e execução do programa é do Deger/Spa (Departamento de Gestão de Risco Rural da Secretaria de Política Agrícola), do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Leia também: Big Data no agronegócio: 5 benefícios da tecnologia no campo.

Big Data no agronegócio: 5 benefícios da tecnologia no campo

O gerenciamento de dados já é considerado a chave para o sucesso das empresas. Por isso, a aplicação do Big Data no agronegócio chama a atenção dos jovens e futuros profissionais e consiste em práticas de otimização dos processos de plantio, cultivo e colheita.

Mais do que conforto e praticidade, a automação do agronegócio é uma necessidade e deve começar desde o produtor. A ideia é empregar as informações obtidas por meio de ferramentas tecnológicas para aumentar a produção.

O conceito do Big Data está na enorme quantidade de dados gerados a cada segundo, no mundo todo. São centenas de milhares de informações que podem ser determinantes para superar metas corporativas e solucionar demandas.

A aplicação dessa tecnologia na captura e na interpretação correta das informações aumenta a vantagem competitiva dos negócios, já que, além de auxiliar o crescimento da produtividade, também diminui os custos.

Com informações detalhadas é possível trabalhar a produção com mais precisão e especificidade, aplicando energia na atividade certa. Consequentemente, os resultados são melhores e mais certeiros.

Pensando nisso, separamos cinco benefícios do Big Data no agronegócio e como sua utilização pode ajudar no desenvolvimento da agricultura digital e de precisão.

Monitoramento e análise em tempo real

O agrupamento dos dados sobre agronegócio pode auxiliar desde o pequeno produtor até as grandes empresas. Algumas informações podem ser obtidas em tempo real, por meio de drones que enviam imagens ao vivo de controle das lavouras.

Alguns sensores e softwares, por exemplo, podem auxiliar na otimização da taxa de aplicação de produtos químicos e seleção de melhor área de plantio.

Outros dados também podem ser alcançados em pouco segundos com a aplicação das técnicas de Big Data no agronegócio, como fertilidade e umidade do solo e fatores climáticos, como precipitação, temperatura, velocidade dos ventos entre outros.

Fortalecimento da produtividade

Uma das vantagens diretas do Big Data no agronegócio é a possibilidade de tomar decisões diferentes e mais eficientes, com base em algoritmos. Esses dados mais precisos são coletados via sensores instalados diretamente nos campos.

A partir disso, é possível utilizar de forma mais otimizada os hectares e sementes, por exemplo. Assim, há crescimento da produtividade da lavoura e redução dos impactos ambientais, abrindo espaço para negócios mais sustentáveis.

Métricas mais precisas

As facilidades proporcionadas pelas práticas de Big Data no agronegócio servem, também, para determinar especificamente quais métricas e indicadores são relevantes para o produtor ou empresa.

Assim, pode-se definir quais números acompanhar para que seja alcançada maior relevância no setor. As decisões baseadas em critérios de alta precisão utilizam a inteligência de dados em grande escala para melhorar os resultados no campo e na indústria e reduzir desperdícios.

Crescimento da sustentabilidade

O agronegócio brasileiro utiliza mais de 70% de toda a água disponível no país, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), e o Big Data pode se tornar um importante aliado na redução desse gasto.

É possível manter a alta produtividade e os bons resultados economizando recursos e, consequentemente, dinheiro. Alguns sensores medem a umidade do solo e analisam as raízes das plantas para identificar a real necessidade de irrigação.

Investir é economizar

Muito se engana quem pensa que investir em Big Data no agronegócio é um gasto com uma tendência passageira. Mas não vale investir na novidade só porque é novidade. Troque o famoso “instinto” pela análise lógica e comprovada.

As inovações, aliadas ao direcionamento estratégico, trazem melhores resultados e, a longo prazo, reduzem os custos. Isso porque planejamento e gestão podem parecer um alto investimento, mas a desatualização abre espaço para a concorrência.

Gostou de saber mais sobre a aplicação do Big Data no agronegócio? Deixe suas impressões nos comentários.

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Açúcar X Etanol: para onde é destinada a cana-de-açúcar?

Cultivada em mais de 100 países em todo o mundo, a cana-de-açúcar é uma das principais culturas do agronegócio e movimenta milhões de reais todos os anos com as produções de açúcar e etanol, especialmente no Brasil.

O evento Expedição Custos Cana, organizado e realizado pelo Pecege, reuniu nomes importantes do agronegócio para debater o futuro das próximas safras de cana-de-açúcar, especialmente para 2019/2020 no Centro-Sul brasileiro.

A conclusão foi um cenário otimista para a produção da matéria-prima, mas com possível diminuição da quantidade de açúcar produzido e aumento do etanol. As previsões foram feitas durante o evento por Luiz Carlos Corrêa Carvalho, diretor da Canaplan, e Tomás Manzano, diretor de estratégia da Copersucar.

Contrariando as expectativas apontadas em uma reunião de tradings (empresas intermediárias) em Dubai, que previam o aumento da produção de açúcar pelo Brasil, o país tende a ampliar o mix alcooleiro na safra 19/20. Por isso, haveria nova redução na manufatura do açúcar a partir da cana-de-açúcar, uma tendência que vem se apresentando desde a safra passada.

Números

A expectativa para a safra 19/20 da região Centro-Sul prevê entre 26 e 27 milhões de toneladas de açúcar. Se esses números se confirmarem, será a menor produção de açúcar da região desde a safra 2007/2008. Já o etanol deve ficar em torno de 29,8 bilhões de litros.

Cenário

No Brasil, o aumento do consumo do etanol nos últimos meses foi o principal indicativo para que a produção de cana-de-açúcar voltasse a ampliar o processamento do biocombustível.

A gradativa demanda por álcool é um reflexo da alta do petróleo, que, de acordo com Carvalho, deve manter o valor do barril entre 60 e 70 dólares por mais algum tempo. Esse comportamento do consumidor se justifica pela disparidade entre o preço do litro da gasolina versus o valor do litro do álcool na bomba.

O clima também é um fator que contribui para avaliar o nível de Açúcar Total Recuperável (ATR): quanto mais úmido, menor é o teor de açúcar na cana. Isso leva as usinas a produzirem mais o etanol.

Paralelamente, nos Estados Unidos da América, o E15, mistura de 15% de etanol na gasolina, está em amplo desenvolvimento. O que vigora no país é o E10. O E15 é proibido no verão, por receio que a combinação contribua com o aumento de fumaça nos dias muito quentes.

Índia

Um dos crescentes concorrentes do Brasil em produção de cana-de-açúcar é a Índia. Porém, as recentes eleições identificam possibilidade de recuo do país. Este cenário pode colocar o açúcar brasileiro em evidência novamente.

“Estamos no centro de negociações complexas, que vão desde o acordo entre Estados Unidos e China até conflitos no Oriente Médio e o Brexit. A Índia deve fazer uma reflexão após as eleições e não deve mais dar sequência à forma subsidiada com a qual trabalham a cana, o país deve recuar”, explica Carvalho.

Pensando nisso, existe uma expectativa de recuperação de produtividade da cana-de-açúcar e do adoçante em si, mesmo numa safra mais alcooleira, como é previsto para esta temporada, enfatiza Manzano.

“A reversão no cenário de cana-de-açúcar ainda será um pouco lenta, mas a oferta de produto de outros países também será menor. Os EUA estão vivendo um excesso de produção e devem caminhar para o equilíbrio. Essa é uma boa notícia para o Brasil, já que tudo caminha para enxugar o estoque deles e aumentar a necessidade sobre o produto brasileiro. Infelizmente temos necessidade de investimento para suportar tal demanda, mas ainda segue sendo um fator positivo. Temos espaço para ganhar produtividade”, ressalta Manzano.

Saiba mais sobre a projeção do agronegócio brasileiro para 2019.

Lucro visível. Prejuízo invisível

Há algumas semanas, no artigo “Produzir cana é rentável? Uma visão do produtor”, divulguei os primeiros resultados apurados pelo Pecege – em parceria com a Orplana e CNA – a respeito dos custos e da rentabilidade de produção de cana por produtores independentes, evidenciando, na safra 2018/19, um prejuízo médio -R$ 25/t.

Considerando esse patamar de prejuízo – que a propósito, não é novidade, afinal, se analisarmos a última década, com exceção das safras 2011/12 e 2016/17, em todas o produtor teve prejuízo econômico – a pergunta “a la” chamada de “Globo Repórter” que fica é: porque ainda vejo produtores de cana? como eles não “quebram”? Um questionamento, inclusive, que muitas vezes incomoda os próprios produtores de cana, afinal: “os meninos do Pecege estão falando que cana dá prejuízo, mas minha conta está no azul. Como pode?”.

Para entender um pouco melhor o “modo de sobrevivência” do produtor, vamos analisar a decomposição dos custos de produção, ilustrados na figura abaixo.

Decomposição dos custos

De forma a melhorar o entendimento das informações, deixei um pouco de lado a metodologia clássica do COE, COT, CT do Matsunaga et al. (1976) e optei por apresentar as informações de maneira mais didática, segmentando em duas visões, cujos termos são sugestivos, custos visível e invisível.

Os custos visíveis são aqueles que o produtor efetivamente “vê” saindo do seu fluxo de caixa, sendo: formação do canavial (plantio), tratos soca, colheita e administrativo. Ou seja, despesas que cutucam sua bancária, tiram seu sono, fazem com que eles tenham uma lista de cotações e por aí vai.

Pois bem, juntas e feitas as devidas amortizações no ciclo de produção, esses custos visíveis totalizaram, em média, na safra 2018/19, R$ 76/t. Se consideramos que o preço médio recebido pela tonelada, considerando o CONSECANA-SP, foi de R$ 79/t, o produtor obteve lucro operacional e, sim, viu dinheiro na conta. Um lucro visível de R$ 3/t.

Essa análise cabe a um produtor que produz cana em área própria (vou deixar grifado, itálico, negrito, sublinhado, porque é muito importante esse ponto) e que não sente efetivamente o peso do arrendamento no fluxo de caixa. Porém, ainda que não haja saída direta de dinheiro da “conta bancária”, existe o custo de oportunidade da terra, afinal, se o produtor não estivesse produzindo, ele poderia estar arrendando a área.

É neste momento que se inicia a contabilização dos custos invisíveis que, como o termo sugere e para fins de análise de viabilidade, existem, mas o produtor não vê saindo efetivamente da conta. No caso da terra, o valor médio estimado é de R$ 20/t, o equivalente aos tratos culturais da soqueira.

Custos

Evidente que se a produção é realizada em área arrendada, o custo deixa de ser invisível e passa a ser visível, respeitando, evidentemente, a proporção “área própria/área arrendada”. E, dependendo da região que estiver, “bota” visível nisso. O “cinturão Preto” da cana por exemplo, que compreende os entornos de Ribeirão Preto – Rio Preto, apresenta como referencial de arrendamento quantidades no patamar de 25 a 30 t/ha pagos em contratos de parceria agrícola.

Agora, raciocine comigo: considerando que a produtividade média nessas regiões está na casa dos 75 a 80 t/ha, será que comprometer cerca de 35% da produção apenas com o arrendamento viabiliza a produção (se você ficou com dúvida, dividi a produtividade pelo arrendamento)? Será que sobra para pagar plantio, tratos e colheita? É claro que não! Por isso que muitos produtores que trabalhavam sob arrendamento acabaram entregando áreas e/ou quebrando. Mas o tema “arrendamento” é pauta para outro artigo. Vamos voltar aos custos invisíveis.

Na mesma linha de raciocínio da “oportunidade” da terra, temos os custos relacionados ao capital. Posto de outra forma, se o produtor não estiver utilizando o dinheiro para produzir cana, o recurso poderia estar aplicado e sujeito, portanto, a uma taxa de juros. Ou seja, um custo que não sai da conta, mas existe.

Evidente que esta situação é válida no caso da utilização de recursos próprios. Caso ele recorra a linhas de crédito, os custos passam a ser visíveis. E, diga-se de passagem, uma visibilidade cada vez mais notável, tendo em vista a inadimplência setorial e taxas mais agressivas quando comparado a um passado recente.

Por fim, temos os custos com depreciação do maquinário, um aspecto raramente levado em conta na apuração de custos. Infelizmente o sujeito só enxerga o investimento inicial e as parcelas associadas, negligenciado a desvalorização do bem. Com isso, de maneira indireta, o custo de produção é onerado, em média, R$ 2/t. E estamos falando aqui de produtores que terceirizam as operações de plantio e colheita.

Visível ou invisível?

Agora, trace um paralelo para aqueles produtores que possuem frota própria para estes estágios. O custo é bem maior! Na verdade, essa “miopia” a respeito da desvalorização, lamentavelmente, faz parte da cultura brasileira. O mercado de automóveis que o diga. Em geral as contas são feitas apenas em cima da entrada, parcela e custo com combustível. Planejar os custos contabilizando manutenção e desvalorização do bem passa longe da realidade.

Considerando os três fatores invisíveis, temos R$ 28/t que, se somados aos custos visíveis, totalizam um custo total de produção de R$ 104/t e, quando relacionado ao preço vigente, dá origem ao prejuízo invisível de -R$ 25/t. Ou seja, contabilmente e visivelmente, tem-se lucro. Economicamente e invisivelmente, têm se prejuízo.

É válido ressaltar ainda que para muitos produtores a “pancada” não está sendo tão grande, pois existem práticas alternativas de remuneração (ex.: ATR fixo + isenção de colheita), haja visto a defasagem CONSECANA, que no fim, vem se tornando um balizador das negociações. Inclusive, é justamente neste sentido que a diretriz da última revisão do modelo vem trabalhando, estabelecendo como mantra a meritocracia entre os envolvidos.

No resumo, a mensagem que fica é de atenção! Produtor que não controla custos e analisa somente fluxo de caixa é igual diabético que não se cuida e corre atrás somente quando dá “algum pau”. Se der tempo, maravilha. O problema é que em muitos casos não dá. Em uma atividade que não se detêm controle de preços, estar atento aos custos e ao fluxo de caixa é de suma importância para saúde financeira da atividade.

João Rosa (Botão) é professor do Pecege e idealizador do canal do Youtube Botão do Excel.

Produzir cana é rentável? Uma visão do produtor

A safra 2018/19 encerrou-se oficialmente no último dia 29/03, estabelecendo um preço médio, considerando o CONSECANA-SP, de R$ 0,5826/kg de ATR. Com uma qualidade média em torno de 135 kg/t, o produtor de cana vai receber R$ 78 por tonelada produzida (linha vermelha na ilustração). Um patamar de preço bem inferior ao custo de produção da matéria-prima, que foi em média R$ 104/t. Tal indicador foi calculado a partir da apuração de custos em 38 diferentes regiões produtoras do centro-sul canavieiro, em levantamento promovido pelo Pecege, em parceria com ORPLANA e CNA.

Destaca-se a amplitude dos registros de custos, com variação de 50% entre o produtor mais eficiente (R$ 83/t) e o menos eficiente (R$ 125/t), o que é determinado, principalmente (e não exclusivamente, afinal, existem diferentes realidades de produção), pela produtividade de ATR (t/ha) observada, conforme disposto na ilustração, que apresenta os resultados por quadrantes, onde se nota que 2/3 dos registros estão nos quadrantes superiores, acima dos R$ 100/t.

Ainda que haja esta distribuição, chama-se atenção ao fato de nenhuma região produtora apresentar custos menores que os preços praticados, levando a conclusão de prejuízo econômico ao produtor de cana na safra 2018/19. Ressalta-se que não estão inclusas nestas análises eventuais bonificações estabelecidas entre usinas e produtores, práticas estas que, dadas as evidências, vem se tornando fundamentais a sobrevivência no produtor de cana, regendo uma nova formação de negociação: “CONSECANA mais alguma coisa…”

João Rosa (Botão) é professor do Pecege e idealizador do canal do Youtube Botão do Excel.

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Produtividade abaixo do potencial encarece a carne no Brasil e no mundo

O Brasil, em um contexto global de produção de pecuária de corte, é um dos grandes “players”, com uma das maiores produções. Seja pela extensa área para criação de gado ou pelo fácil acesso a grãos para alimentação do boi, o fato é que o país realmente se posiciona como grande player e o mundo tem uma dependência do mercado brasileiro de proteína animal como um todo – boi, frango, suínos, ovos e até o leite.

De acordo com o professor da Plataforma Solution, Thiago Bernardino, ainda assim o país produz menos do que poderia. “Quando falamos que o Brasil tem problemas de oferta de carne, quer dizer que produzimos abaixo do potencial que temos. Podemos ter uma larga produção pelas condições de área, água, pasto e clima”, afirma. “Mas poderia ser ainda melhor”, completa.

Apesar de ser um dos maiores exportadores de carne bovina, apenas 20% da produção no Brasil é de fato comercializado fora. Escândalos econômicos envolvendo empresas de exportação de carne bovina, em 2017, tiveram impacto no mercado, diminuindo a oferta para o exterior e elevando preços. Para manter e até abaixar os preços é necessário produzir mais.

Baixa produtividade

Uma das explicações para essa produção abaixo do esperado é porque por muito tempo o gado foi encarado como reserva de valor. “Ele era colocado no pasto para garantir a posse de terra”, afirma o professor.

Isso fazia com que a rotatividade no pasto fosse grande, os donos das terras as vendiam e compravam com muita rapidez. Essa tradição hoje em dia não é mais tão comum, mas ainda é motivo para a baixa produtividade em alguns locais no país.

Outra razão é a tradição do pastejo, ou seja, gado criado solto. Nesses casos, os bois ganham em média 800 gramas por dia. Em confinamento, a média é de 1,8 kg ou até 2 kg. Isso faz com que o ciclo de produção da pecuária de corte dure em média de 80 a 120 dias. No pastejo pode chegar a um ano.

Como no Brasil o espaço não é um problema, é comum que os produtores não se incomodem em criar os animais soltos – além de essa técnica ser mais barata. “Enquanto em outros países com menos área para produzir eles fazem o máximo que podem com menos. Isso exige mais, o produtor acaba por colocar mais tecnologia, produz mais e um animal mais pesado”, completa o professor.

Perspectiva

Com a economia do país se estabilizando, a tendência é que os produtores de carne invistam em tecnologias em vista de melhorar a produtividade. “Espera-se que a gente aumente o consumo de carne bovina internamente. As exportações vão continuar crescendo”, afirma Bernardino.

Além disso, com o crescimento de consumo interno e externo, a oferta também deve aumentar. O cenário deve ser positivo nos próximos anos, de acordo com o professor.

Apesar de o país ter espaço “de sobra” para produção de gado, a perspectiva é que isso também diminua cada vez mais. Isso porque há o crescimento das cidades e culturas agrícolas que também precisam de espaço. “Isso traz uma competição maior para a pecuária, exigindo que invista para aumentar a produtividade sem precisar de tanto espaço”, finaliza.

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Agronegócio brasileiro: uma projeção do setor em 2019

O agronegócio é um dos setores mais dinâmicos da economia brasileira em termos de produtividade, crescimento e geração de renda. Nesse âmbito, ele tem mostrado um desenvolvimento a uma taxa superior em relação a outros ramos da economia brasileira.

Segundo o professor e especialista em economia, Humberto Spolador, além de se apresentar como um setor de alta tecnologia, o agronegócio contribui para a geração de emprego e renda em outras atividades econômicas como, por exemplo, na indústria de máquinas, que tem parte de sua produção voltada para o campo ou, ainda, a indústria farmacêutica, que produz medicações e vacinas para a produção animal.

“Vimos que 2018 foi um ano difícil para o setor, mas ao observar a série histórica, existem algumas oscilações pontuais, nas quais a média de crescimento ao longo do tempo ainda seguiu superior ao crescimento médio da economia brasileira”, pontua. Em 2017, contudo, ele ressalta que a atividade agropecuária obteve um crescimento de 13%, sendo esta apenas uma das atividades que compõem o setor.

Carlos Bacha, também especializado em economia e professor de cursos voltados ao agro, indica dois pontos a serem observados no agronegócio brasileiro em 2019, sendo um de dimensão interior e o outro exterior. “O primeiro será a taxa de câmbio, que influencia na remuneração do exportador e do produtor além de pressionar a área de insumos e uma série de custos com produção. A taxa de câmbio está relativamente alta este ano”, avalia.

Política nacional

As recentes mudanças na estrutura política brasileira, com a eleição de um novo governo de direita, será um importante ponto de transformações. Bacha explica que as pressões ambientais e invasões de terras diminuirão, enquanto que a produção não estará limitada ao que é chamado de políticas de rendas.

“Portanto, se a taxa de câmbio surge como uma ameaça interna, a produção e exportação serão elevadas de forma positivas conforme os preços internacionais se mantiverem constantes”, observa.

O acadêmico indica ainda que a perspectiva para 2019 é uma redução na taxa de câmbio. Isso significa diminuição de rentabilidade para o exportador, que ganhará o um valor em dólar, mas que, convertido em reais, tem um preço relativamente mais baixo em relação a um produto vendido em melhores cotações. Esse comportamento se distribuirá ao longo da cadeia de produção do agronegócio.

“Mas devemos lembrar que o agronegócio, em uma taxa de câmbio de $ 3,40, é muito rentável. Então não teremos uma redução de ganhos no setor a não ser que os preços caiam a nível internacional”, completa.

Desempenho

Do ponto de vista interno, Bacha informa que a produção nacional será muito bem estimulada por um novo governo. “Essa administração deverá manter os estímulos atuais aos campos de pesquisa e extensão, porque a inflação não está necessariamente pressionando para que esses pontos sejam interrompidos”, comenta.

O professor adverte que a cadeia do agronegócio brasileiro envolve diversos tipos de segmentos e alguns sofrem diretamente com a cotação internacional. A atual queda do preço do açúcar e do álcool – que acompanha as quedas de preço do petróleo – dificulta o crescimento desse setor no mercado externo, por exemplo. Isso relacionado também a diminuição no consumo de seus subprodutos.

Por outro lado, o mercado de soja e celulose são os que estão em constante crescimento, devendo continuar em ascensão durante 2019 e tornando o Brasil uma referência ainda mais forte nas duas frentes. “Temos uma variação de cenários conforme a análise de cada produto justamente porque o Brasil tem uma gama bem grande de produção. Continuaremos sim a crescer nossa produção e colocar o produto brasileiro cada vez mais à disposição do consumidor externo”, conclui.

O desempenho do agronegócio dependerá ainda dos preços e de boa parte dos valores relevantes formados no mercado internacional. Além disso, os indicadores sugerem que a economia brasileira terá um melhor desempenho em 2019 comparado ao mesmo período do ano anterior. “Isso dentro de uma expectativa mais macro da economia, já que é provável que todos os setores se beneficiem dessa conjuntura”, ressalta Spolador.

Segundo as projeções do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado pelo IBGE (https://agenciadenoticias.ibge.gov.br), neste ano a produção de grãos deve ser 3,1% maior do que foi em 2018, sendo a segunda maior safra desde 1975. A maior produção de grãos registrada ocorreu em 2017.

Com papel de grande importância no comércio exterior, o agronegócio brasileiro caminha para novas dimensões. Em dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, de 30% a 40% do que o país exporta está relacionado ao setor. “Essa é outra contribuição importante do agro para o crescimento econômico do país neste ano”, finaliza o professor.

Conheça também as tecnologias para o setor de grãos em 2019 aqui.

Qual a importância da gestão do sistema mecanizado na cana?

A produção de cana-de-açúcar passa por várias etapas, o que torna a administração do processo um tanto quanto complexa. A gestão do sistema mecanizado, ou seja, das máquinas que fazem boa parte do trabalho, deve ser feita com atenção para evitar perdas no futuro, já que o investimento normalmente é muito alto.

Gerir esse sistema passa por todas as etapas de produção até chegar à colheita. O produtor deve saber o número e o tipo de maquinário que vai precisar para conseguir produzir a quantidade de cana no período determinado. Parece um cálculo complexo, mas é possível resolvê-lo no Excel.

“Ele precisa saber as máquinas precisa para atender o que vai fazer e quanto isso vai custar. Dá para trabalhar de maneira prática, colocando os conceitos no Excel. Por exemplo, quantas máquinas vou precisar para a pulverização, quantas para a colheita, etc.”, esclarece João Rosa, professor da Plataforma Solution. Isso tudo também é importante para prever o orçamento necessário de todo o processo.

De acordo com ele, é preciso cruzar as informações técnicas da máquina com a quantidade de mão de obra, o tempo disponível para produzir, entre outras. “Depois aplico conceitos econômicos de custo fixo, custo variável e custo operacional para saber uma estimativa de valor final”, explica.

Três etapas

A gestão do sistema mecanizado é muito importante para prever eventuais problemas durante a safra. Para conseguir calcular, são necessárias três etapas. “A gente começa determinando o ritmo operacional. Ele varia em função de jornada de trabalho, probabilidade de chuva e uma série de outros fatores.”

Resumidamente, o ritmo operacional determina o quanto o produtor deve fazer para atender o planejamento. Depois, é preciso determinar a capacidade operacional, que diz o quanto consegue fazer com o que tem. “É a velocidade de trabalho da máquina, a largura de trabalho e a eficiência de campo”, afirma.

Isso deve ser calculado principalmente porque o maquinário não consegue funcionar em tempo integral, pois precisa parar para abastecer, fazer manobras, eventuais reparos, entre outros imprevistos.

A última etapa é o cálculo do investimento, que precisa ser feito para atender a sua demanda. Essa conta deve conter os custos que são fixos e variáveis.

Fixo x variável

O custo fixo inclui os juros, alojamento, seguros, taxas e a depreciação do maquinário. “Que é quanto eu perco da máquina, em termos de valor, ao longo da vida dela. É semelhante a comprar um carro. Quando sai da concessionária, ele já perde valor”, relaciona.

Já os custos variáveis incluem, por exemplo, o consumo médio de um trator com base em estimativas que já existem, mais o custo de reparo e manutenção, etc. “Então a gestão do sistema mecanizado é isso. Tenho um planejamento e vou seguindo e verificando se está de acordo com o que eu calculei”, define Rosa.

Importância

Mas por que você deve entender pelo menos um pouco desses cálculos? Não é mais fácil só “ir levando” e ver no que dá? Obviamente você pode fazer isso, mas, segundo o professor, não é aconselhável pelo alto risco de prejuízos.

“O investimento que você faz em maquinário é elevado. Cada cavalo de um trator custa cerca de R$ 1 mil. Um desses pequenos tem em torno de 100 cavalos. Já uma colhedora de cana está na faixa de R$ 1 milhão”, diz. “Então esse ‘negócio’ de planejamento dá um horizonte de quanto você vai precisar investir”, completa.

A gestão do sistema mecanizado é uma boa parte do processo de produção de cana. Entender quais serão os custos disso faz com que o produtor tenha um domínio das informações para uma tomada de decisões mais consciente. Também facilita caso seja preciso reduzir o cultivo.

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Saiba como funciona o arrendamento de terras

O fechamento de contratos de arrendamento de terras é comum e traz algumas vantagens, tanto para quem produz quanto para quem cede as terras. Conhecido também como parceria, o arrendamento se torna uma alternativa viável para a produção na pecuária e agricultura.

Excelente para o cultivo de cana, o sistema é utilizado desde o tempo de expansão romana, participando de regimes agrários de muitos países. Ao ser fechado por ciclo produtivo, o contrato assegura a receita e possibilita colher a cana através de vários cortes, sem a necessidade de renovação constante do canavial.

Assim que firmada uma parceria, parte da produção deverá ser comprometida para o pagamento do aluguel. “Produzindo 90 toneladas, o produtor poderá destinar 20 toneladas para o pagamento desse aluguel”, exemplifica o professor do curso de Gestão de Custos Sucroenergéticos da Plataforma Solution, João Rosa.

Cultivo

Calculando todos os custos com cultivo, e levando em conta a produtividade, o agricultor deverá sempre incluir nas contas o pagamento do arrendamento. Rosa comenta que, em um descuido, é possível que após a colheita os saldos não sejam capazes de cobrir a despesas, impossibilitando lucros.

“O que acontece é que às vezes são feitos contratos de arrendamento e, no final, a conta não fecha. Para uma parceria é preciso ter alta produtividade e bons retornos”. Mas ele informa que o fato é muito variável, conforme a área em que o produtor se instala. Em locais com maior concentração de usinas, haverá maior demanda por matéria prima. Então, geralmente, a competição nesses locais será maior e o valor de aluguel também.

Nesses casos, o agricultor precisará sempre observar o preço do mercado em relação aos arrendamentos. Somente desta forma ele poderá colocar as contas em dia. Isso levando em consideração o valor da parceria, que gira em torno de 19 toneladas por hectare alugado atualmente.

Cautelas necessárias

O conselho de Rosa é que, ao fazer o contrato, haja um planejamento e expectativa de produção para ponderar o alcance dos lucros. Segundo ele, muitos perguntam até que ponto pode compensar um aluguel, mas isso irá depender de alguns fatores.

“Se pensarmos em uma sala comercial de 5 mil reais, pode parecer cara, mas tem que se levar em conta sua localização, a natureza do negócio e o avanço dele. O mesmo vale para uma terra. Não posso entrar em algo que eu sei que não faz parte da minha realidade”, ilustra.

Para a pessoa que está arrendando, ou seja, o proprietário da terra, o negócio de parceria é vantajoso, pois gera uma renda fixa. Na outra via, o produtor lida com variabilidades e fatos inesperados, como uma safra que não foi tão boa quanto as previsões.

Ao enfrentar uma produção abaixo do esperado, o valor de retorno cai, mas não altera o valor acordado do aluguel, que permanece o mesmo. Fazendo um exercício de gestão, o professor explica que é possível saber o quanto vale a pena fechar o arrendamento.

Gestão humana

Saber o que é um arrendamento, ou se ele é vantajoso, não deve ser a única preocupação do agricultor. Para Rosa, a principal carência do produtor não são técnicas, mas gestão, principalmente quando se refere ao valor da safra por fluxo de caixa.

“Se a safra está azul, ele acredita estar bem, quando na verdade o patrimônio dele pode estar sendo corroído. Isso porque, lá no começo, não foi considerado custo de capital ou outros”, explica.

Por muitos anos, o cultivo da cana permaneceu da mesma forma. Hoje, com o fenômeno da sucessão familiar, muito dos processos tradicionais de plantio passaram por inversão.

O professor comenta que a “velha guarda” sempre foi guiada pelo “cheiro” e sensações. Já as novas gerações de produtores, que têm uma formação melhor e muitas vezes fazem uma faculdade para adquirir conhecimento técnico, entendem mais das técnicas de administração. “Eles possuem uma ideia melhor sobre o que é um fluxo de caixa, o que é fórmula de VPL (valor presente líquido). Eles vão tentar incorporar isso na produção.”

Nesse sentido, Rosa explica que pode existir um choque entre as gerações, mas que o processo de sucessão garante avanços, uma vez que aos poucos os conceitos de administração sejam adotados e incorporados na produção. “Lógico que o agricultor controlar seus custos não é unanimidade. A maioria já adota essas práticas de gestão mais eficiente com êxito há tempos”, finaliza.

Quer saber como investir na gestão da produção? Leia mais aqui.

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Quais serão as tecnologias para grãos em 2019?

Veículos autônomos, inteligência artificial, Internet das Coisas e drones são algumas das novidades já vistas em tecnologia para grãos. Sempre em discussão, o campo de aprimoramento no setor apresenta novas tendências anualmente.

Em um ano com expectativa de crescimento de safra de 4,2%, comparada ao do período de 2017/18 (Conab), investimentos que otimizem cada vez mais a produção não saem da atenção do público do agronegócio voltado para grãos.

Segundo Mauro Osaki, professor do curso de Gestão de Custos no Mercado de Grãos, da plataforma Solution, a tecnologia tem se destacado principalmente pelo melhoramento genético. “Todo ano temos uma pequena inovação e lançamento de novas culturas que garantem bons resultados das safras”, comenta.

Evoluções

No campo, se tornou cada vez mais comum a questão de uso dos drones. Para Osaki, eles são importantes auxiliares no controle de pragas, mapeamento da lavora, consulta da depreciação e fertilização de solos. “Essa tecnologia era voltada apenas ao grande produtor. Hoje já é acessível ao de médio porte e logo se tornará comum para todo agricultor”, explica.

O professor ressalta ainda que o custo baixo de algumas ferramentas tecnológicas acelerou novos manejos de terras. Entretanto, toda a produção ainda depende do conhecimento técnico e olhar crítico do agricultor.

Futuro

Apesar de auxiliar, nenhuma tecnologia pode substituir o trabalho humano ao controlar uma máquina. “Mesmo que mecanizada, nossa produção não é autônoma. Caminharemos para isso, mas precisamos de ajustes estruturais que ainda podem demorar”, enfatiza Osaki.

Para ele, até mesmo os aplicativos não podem ser considerados tecnologias inteiramente funcionais. “Eles ajudam, mas são apenas ‘computadores’ transportados para o celular. Isso diminui a distância com que o trabalho era feito, mas dificilmente atinge a necessidade individual de cada produtor”, reforça.

Caminhar em direção a novos conceitos e aprimoramento é, segundo o professor, um processo gradual. “E esse será um desafio a ser superado nos próximos anos. Novas tecnologias para grãos só poderão ser lançadas conforme melhorarem a precisão de ferramentas já utilizadas em campo”, observa.

Proteção econômica

Apesar de não fazer parte das tecnologias para grãos, a hedge é uma ferramenta que vale ressaltar neste ano e que será importante na proteção contra as oscilações de preços no mercado. Com ela, o agricultor pode fazer uso desse instrumento por meio de corretoras, sendo algumas vinculadas a bancos ou independentes.

“Esta operação é muito utilizada pelas tradings, empresas comerciais que atuam como intermediárias em operações de exportação ou de importação entre empresas fabricantes e empresas compradoras”, explica Wilson Miceli, também professor do curso de Grãos.

Por ficar muitas vezes apenas intermediado pelas tradings, o agricultor poderá usar a hedge como via para ofertar seus grãos. A partir de contratos futuros, também chamados de derivativos, ele irá garantir o pagamento pelo produto colhido.

“Se ele colher em março ou abril, pode se defender com um contrato de corretora, fixando o preço na bolsa e garantindo a margem de lucro”, exemplifica o professor. “Pode não ser considerada uma tecnologia, mas é uma ferramenta que a algum tempo vem sendo bastante utilizada e tende a continuar assim em 2019”, completa.

Ao contratar a hedge, o agricultor tem acesso diário junto à corretora para verificar qual preço é mais adequado a seu produto. Como o preço é estipulado pelo mercado, ele pode consultar o melhor momento e garantir lucro em sua venda.

“E não somente o agricultor se beneficia com isso. Armazéns, indústrias atacadistas, cerealistas e até mesmo o consumidor final podem lucrar com esse derivativo”, finaliza Miceli.

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