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Como serão os comportamentos e atitudes pós-pandemia?

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Algumas características que marcam nossa personalidade são guiadas pelos comportamentos e atitudes que tomamos diariamente. Nesse mesmo aspecto, somos bastante influenciados pelo que acontece à nossa volta e acabamos nos moldando para viver melhor diversas situações.

Durante a pandemia, por exemplo, nos vimos em um cenário totalmente diferente daquele que estávamos acostumados. Tivemos que aprender coisas novas e mudar hábitos muito rapidamente, sem a oportunidade de fazer uma gestão da mudança ou uma transição tranquila. Isto acarretou medo, ansiedade e dificuldade de adaptação, afetando diretamente nossa saúde emocional.

Ao mesmo tempo em que ficamos isolados por muito tempo, nos vimos dependentes de outras pessoas, serviços e processos. O simples ato de ir e vir não foi mais possível e as rotinas dentro e fora de casa praticamente se confundiram em uma só.

Dentro dessa situação limitante, o que se observou também foi a distinção de comportamento e atitudes pessoais. “Vimos movimentos solidários para além dos muros das nossas casas. Pessoas e empresas passaram a ficar preocupadas com os mais vulneráveis. Por outro lado, e infelizmente, vimos um grupo cujo egoísmo, falta de empatia e insensibilidade tomaram conta”, lembra a professora da Quest de Gestão de Pessoas, Denise de Moura.

Seres comunitários

Pensando no lado pessoal, os comportamentos pós-pandemia de muitos indivíduos sofrerão profundas transformações, pois estarão baseados em valores como saúde, bem-estar e relacionamentos familiares.

“Os cuidados com a higiene que temos agora será algo normal em muitas famílias e os relacionamentos terão outro significado. Um abraço forte, por exemplo, será um grande presente”, lembra Denise sobre a ressignificação dos nossos comportamentos e atitudes. 

No campo profissional, continua a professora, a autogestão será muito valorizada. “Esperar que um líder diga ‘o que’ e ‘como fazer’ não faz mais sentido. Será necessário dar voz e autonomia às pessoas nas organizações, mas, para isso, os próprios valores organizacionais terão que sofrer mudanças”, explica.

Comportamentos e atitudes nas empresas

Estruturas hierárquicas inflexíveis não terão mais vez no mundo pós-pandemia (e nem mesmo agora), assim como uma liderança autocrática. Empresas que dão autonomia e voz aos seus funcionários e os estimulam a pensar e a fazer diferente, questionando a todo o momento o status quo, serão muito valorizadas e conseguirão atrair pessoas de alto desempenho.

Além disso, Denise reforça que profissionais com visão crítica conseguirão lidar mais rapidamente com crises e vulnerabilidades.

“Outro comportamento que percebo como destaque é o pensamento inovador para saber resolver problemas complexos. Um pensamento crítico exige que nos afastemos de crenças limitantes como ‘não vou conseguir’, ‘não temos competência’ ou ‘não temos recursos’, sobretudo para analisar e tratar um problema.”

E problemas complexos, a exemplo da pandemia, em que não se havia recursos/ferramentas disponíveis e conhecidas para resolvê-la, exigirão que os profissionais estudem continuamente, tornando-se lifelong learners e adquirindo competências específicas que serão úteis em situações de vulnerabilidades.

“Um profissional rápido nas decisões, capaz de resolver problemas, questionador e com muita vontade de fazer a diferença terá muito espaço em um futuro ainda incerto”, comenta a professora. Assim, ela também reforça que as empresas precisarão oportunizar autonomia, poder de tomada de decisão e estimular os questionamentos e debates constantemente entre suas equipes.

Individualismo x autopunição x saúde emocional

O home office adotado por empresas foi apenas um exemplo de transformação que trouxe muita insegurança e ansiedade para diversos profissionais que se viram trabalhando em casa da noite para o dia.

O medo de perder o emprego ou da empresa fechar, de adoecer ou perder um familiar para a doença, assim como o isolamento, acabou gerando dores emocionais muito grandes. Neste sentido, as empresas, a partir de agora, precisam redobrar a atenção aos profissionais, cuja saúde emocional está abalada ou prejudicada em virtude das inúmeras adversidades dos últimos tempos.

“Assim como no home office, em que muitas empresas perceberam ser mais eficaz gerenciar as entregas de cada integrante da equipe, em vez de controlar as horas trabalhadas, também será necessário cuidar dos profissionais que estão inseguros, que perderam amigos e familiares e que ficaram doentes ou que se sentem desmotivados”, aconselha Denise.

Sabendo que as pessoas ingressam na empresa pela experiência e repertório que apresentam durante o processo de recrutamento, mas continuam lá ou são promovidas por seus comportamentos e inteligência emocional, é hora de se equipar com um olhar mais amplo.

Com a pandemia, nem todos os profissionais conseguiram enfrentar da melhor forma este cenário de incertezas, e as empresas precisam ter sensibilidade para tratar estas questões, não ignorando ou banalizando aspectos importantes ligados à motivação das suas equipes, assim como suas dores emocionais.

“Por outro lado, em um pós-pandemia, muitas empresas buscarão se reerguer de forma muito rápida (cenário este já visto em várias organizações), criando produtos e serviços que atendam às inúmeras demandas diferenciadas de clientes que apareceram durante o isolamento social, para sair mais rapidamente da crise”, prevê a professora.

Saúde ao pé da letra

Denise aponta outras duas questões que podem parecer incompatíveis, mas que precisam de muita atenção e são percebidas neste cenário de novos comportamentos e atitudes.

De um lado, existem profissionais que precisarão de uma atenção especial por se sentirem desmotivados/inseguros e, do outro, empresas que esperam das suas equipes resultados rápidos para saírem da crise pela qual estão passando há quase um ano. Encontrar um equilíbrio entre estes dois cenários será fundamental.

“E cada um poderá fazer a sua parte. As pessoas que se sentem ainda muito inseguras e desmotivadas com todo este cenário de adversidade devem buscar ficar em contato com amigos e familiares, mesmo por telefone. Uma voz amiga pode ser muito reconfortante”, aconselha a professora.

Ela também reforça a recomendação de profissionais sobre buscar satisfação pessoal em pequenos atos diários, como manter uma alimentação saudável, dormir bem, praticar alguma atividade que diminua o estresse, a exemplo de ioga, meditação, leitura de livro ou escutar música.

“Ainda não sabemos como será o futuro pós-pandemia, mas é certo que a ajuda mútua, a empatia, a sensibilidade e o companheirismo entre pessoas e empresas farão toda a diferença”, finaliza.

 

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