“Seis pontos para a criação de uma experiência de aprendizagem significativa”

Artigo

Diego Lopez Silva

 

Ensinar e aprender são atividades que extrapolam os ambientes formais de educação como a escola e a universidade. Cada vez mais, diante das mudanças constantes que enfrentamos no nosso cotidiano, precisamos nos reciclar, aprender novas habilidades, conteúdos e processos para nos mantermos atualizados e a par das necessidades de um mundo cada vez mais dinâmico, tecnológico e imprevisível. O conceito de “lifelong learning” ou aprendizagem ao longo da vida tem ganhado espaço em publicações e se tornou uma preocupação constante de pessoas e organizações ao redor do mundo.

A UNESCO, desde a década de 1950, mantém em Hamburgo, Alemanha, um instituto dedicado ao lifelong learning e tem, desde então, ressaltado que para além do mundo do trabalho, a aprendizagem por toda a vida fortalece as bases sociais e políticas de uma nação e também é um processo estratégico para que sejamos capazes de aprender a utilizar de modo mais sustentável os recursos de nosso planeta. A busca por aprendizado constante gera novas oportunidades de ensino e de formação continuada em espaços não formais, ou seja, qualquer ambiente e situação tem potencial para se tornar uma experiência de aprendizagem.

Mas será que é possível potencializar nossos aprendizados? Como fazer para que nossas experiências sejam mais significativas, efetivas e intencionais? Como desenhar e criar tais situações de aprendizagem para alunos, colaboradores, clientes, visitantes e pessoas interessadas explorando as possibilidades oferecidas pela tecnologia e por espaços que não são necessariamente “salas de aula”? Será que o mundo pode se converter em uma grande escola oferecendo múltiplas chances de ensinar e aprender?

A Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos coordenou uma série de estudos profundos sobre a aprendizagem a partir de pontos que são consensuais entre pesquisadores da área. Esses estudos deram origem a duas publicações conhecidas como How People Learn, sendo o primeiro volume publicado em 2008 e o segundo em 2019, reunindo os estudos de ponta da área de ensino e aprendizagem das mais proeminentes universidades do mundo. As obras apresentam caminhos e sugestões para que as pessoas que criam e planejam experiências de aprendizagem e não são necessariamente profissionais da área sejam capazes de organizar e potencializar o resultado em torno de seis pontos:

 

1) especificar claramente os objetivos de aprendizagem;

2) designar os objetivos de performance apropriada para cada aprendiz ou grupo;

3) agregar valores à experiência de aprendizagem;

4) construir o senso de autonomia dos aprendizes;

5) desenvolver o senso de competência autorregulatória dos aprendizes;

6) criar um ambiente de suporte emocional e sem ameaças para o aprendizado.

 

Esses pontos podem variar de importância dependendo do que está sendo planejado, da idade da turma, da cultura no qual estão inseridos, mas de maneira geral, servem como orientação para refletir sobre o desenho de uma experiência de aprendizagem. A seguir, vamos explorar rapidamente cada sugestão apresentada pelos pesquisadores:

 

1) Especificar claramente os objetivos de aprendizagem

Antes de iniciar a experiência, deixe claro para seus alunos o que deve ser aprendido ao final daquele processo, seja uma palestra, um curso, uma aula ou atividade.

 

2) Designar os objetivos de performance apropriada para cada aprendiz ou grupo

Quem são os seus alunos? Qual o nível de experiência e conhecimento que eles possuem no assunto ou atividade que você pretende desenvolver? É importante planejar uma atividade de acordo com o nível de sua audiência.

 

3) Agregar valores à experiência de aprendizagem

Você já esteve presente em uma aula ou curso e se perguntou: por que estão me ensinando isso? Pois é, essa pergunta deve ser tratada de frente ao se planejar uma atividade e a resposta vir associada a uma proposta de valor.

 

4) Construir o senso de autonomia dos aprendizes

É importante que seus aprendizes criem independência em relação ao que foi ensinado, construam seus próprios caminhos e se tornem experts autônomos naquilo que aprenderam.

 

5) Desenvolver o senso de competência autorregulatória dos aprendizes

Um dos aspetos mais importantes da autonomia dos alunos é a capacidade de eles identificarem por si mesmos quais são os pontos de melhoria e por onde eles podem evoluir e continuar aprendendo.

 

6) Criar um ambiente de suporte emocional e sem ameaças para o aprendizado

Vários estudos indicam que aprendemos melhor quando estamos em um ambiente que forneça suporte socioemocional para nossas inseguranças enquanto ainda novatos em uma atividade. É importante destruir preconceitos e construir pontes para o acesso das pessoas ao saber, sem punições severas ou em um ambiente que condene o erro e reproduz concepções que afastam as pessoas de se arriscar em uma nova jornada de aprendizado.

 

Antes de querer simplificar a complexidade por trás de qualquer aprendizagem e suas implicações sociais, emocionais, cognitivas e culturais; esses pontos nos ajudam a refletir sobre como sugerir condições mais acessíveis para que as pessoas aprendam e, o mais importante, se interessem em continuar aprendendo ao longo de suas vidas e se tornem também melhores tutores, monitores, professores, guias e “ensinadores” daqueles que as cercam. Para saber mais, procure pelo curso de Desenho e Gestão de Experiências de Aprendizagem da Plataforma Solutions e tenha uma boa jornada de aprendizado!

 

Gostou do artigo do Professor Diego? Confira as aplicações desses conceitos no curso de Experiências de aprendizagem: design e gestão disponível na Platorma Solution.

 

 

Comentários
Nenhum comentário
Seja o primeiro a comentar. Escreva seu comentário abaixo e contribua com a geração do conhecimento peça a peça.
Entrar para comentar

Você gostou deste conteúdo?