Sharing economy – a ascensão da economia do compartilhamento

Artigo

A economia do compartilhamento vem, desde 2010, conquistando o mercado e revolucionando o modo como consumimos e usamos bens e serviços, refletindo o modo como fazemos mais com menos e aproveitamos os recursos físicos ao máximo.
A ascensão dessa economia, também conhecida como P2P (person to person – definição de Lawrence Lessig de 2008), faz um contraponto aos modelos já tradicionais de B2B (business to business) ou B2C (business to consumer), nos quais, pessoas jurídicas privadas (em sua imensa maioria) se relacionam com outras empresas ou com consumidores finais.
A economia do compartilhamento apresenta crescimento exponencial, a partir do surgimento de empresas (em sua maioria startups) com modelos de negócio disruptivos – que não apresentam uma simples melhoria na solução final entregue mas uma total reinvenção da relação entre o cliente/consumidor e o fornecedor do produto ou serviço, por meio da tecnologia e processos inovadores, especialmente via apps nos smartphones.
Airbnb, Uber, Alibaba marketplace (conectando produtores e consumidores, sem manter inventário físico), Kickstarter (empresa de financiamento/crowdfunding coletivo para novos projetos), VW move (serviço de locação de automóveis da Volkswagen, na Alemanha), Gympass (sistema que congrega 20 mil pontos para atividades físicas no Brasil, sem possuir estes locais), entre muitas outras, são exemplos de empresas que conectam fornecedores e clientes possuindo pouquíssimos ativos e desafiando os líderes tradicionais nas categorias de hotelaria, deslocamento urbano, varejo, serviços financeiros, veículos e academias.
O interessante é entender os novos princípios que sustentam esta verdadeira revolução! Em primeiro lugar existe uma questão de modelo mental geracional. Os chamados millenials e geração Z – pessoas nascidas a partir de 80 e 95, respectivamente – apresentam uma relação diferente com a propriedade de bens. Pessoas destas gerações em uma proporção considerável, ao contrário de gerações anteriores como a X e baby boomers, não estão dispostas a sacrificar seu patrimônio/capital acumulado com ativos que se depreciam e têm altos custos de manutenção como uma residência, veículos, barcos ou casas de veraneio.
Outro princípio relevante é a questão tecnológica. As pessoas, nas nações ocidentais, ficam em média (pasmem!), de acordo com pesquisa da Hoopsuite/We Are Social (2019), 6 horas e 40 minutos conectados à internet via smartphones. O Brasil puxa essa média para cima com uma média (!) de 9hs e 29min (fonte: https://canaltech.com.br/internet/brasil-e-o-segundo-pais-do-mundo-a-passar-mais-tempo-na-internet-131925/). Todo este tempo dedicado ao nosso “celular de estimação” obviamente é um prato cheio para os grandes aplicativos nos inundarem com seus serviços irresistíveis, práticos e muito fáceis de usar, aumentando a chance de compra das ofertas dessas novas empresas da economia colaborativa versus empresas da economia tradicional.
Por fim, um outro princípio relevante da economia colaborativa é a redução da ociosidade de um determinado ativo. Um carro de propriedade privada, por exemplo, com raras exceções, permanece mais de 95% de sua vida útil, parado, numa garagem. Uma furadeira, com a exceção do uso profissional, passa mais de 99% do seu tempo, desligada. Muitos imóveis à beira-mar ficam desocupados, mais de 90% de sua vida útil. Por que não
aumentar a utilização/ocupação destes ativos gerando renda para o proprietário e diminuindo o desperdício de recursos na aquisição de mais ativos? Aliada ao aumento da consciência sustentável na qual existe uma consequente redução da emissão de poluentes e desperdício de recursos que podem ser empregados em finalidades mais produtivas/benéficas para toda a sociedade.
Esta revolução está apenas começando. Para se ter uma idéia, o primeiro smartphone como hoje concebemos – o Iphone, do gênio Jobs – foi lançado em 2007 (eu mesmo, quando vi este dado, me surpreendi... parece que faz muito mais tempo...), ou seja, apenas 14 anos atrás. Portanto, há muito o que ocorrer em termos de desenvolvimento tecnológico, que permitirá a expansão da economia colaborativa em outros setores muito relevantes para a humanidade, como serviços médicos, legais, fiscais e outros. A expectativa é de que esta revolução esteja a serviço não apenas dos grandes capitalistas globais mas também da sociedade como um todo, permitindo uma utilização mais eficaz e eficiente do uso de recursos, principalmente na direção de quem mais precisa.

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