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Liberdade com responsabilidade: a Netflix provou que isso é possível

Categorias: Dicas

Os executivos da Blockbuster jamais imaginariam que o sucesso de uma pequena locadora de filmes por correios aconteceria ao mesmo tempo em que a maior do mundo daria adeus à sua última unidade. O detalhe é que eles também perderam a chance de participar desse sucesso, quando recusaram a compra da Netflix no começo dos anos 2000.

Provavelmente eles não sabiam que, em 2019, a humilde empresa se tornaria gigante a ponto de ter títulos originais indicados ao Oscar - a primeira indicação veio com o filme Roma, que conseguiu levar três prêmios pela excelente direção de Alfonso Cuarón.

Na verdade, ninguém conseguiria imaginar tamanho sucesso, nem mesmo os próprios responsáveis por ele, Reed Hastings e Marc Randolph. Mas o que chama a atenção para a Netflix vai além da repercussão e seus mais de 200 milhões de assinantes. Na verdade, a sua cultura de inovação e de colocar pessoas acima de processos, com a presença de pouco controle, é o verdadeiro alvo de curiosidade e estudos.

Como uma empresa tão grande consegue se manter sem a presença de normas?

A resposta está na liberdade

O que se sabe sobre liberdade é que ela anda junto com a responsabilidade. Então, alguém responsável lida com a liberdade da escolha, mas também arca com as suas consequências. Por isso a Netflix está mais preocupada em dar liberdade aos funcionários do que regular cada passo que eles dão, justificando isso como fonte para novas ideias.

Todo esse valioso “segredo do sucesso” foi divulgado no livro A Regra é Não Ter Regras, uma obra feita pelo CEO da Netflix, Reed Hastings, em parceria com a autora e especialista do mundo dos negócios, Erin Meyer.

É claro que não dá para resumir todo o livro aqui, mas vamos conferir algumas lições que a empresa passa sobre driblar dificuldades corporativas em um mundo regido por tradições e expectativas.

Talento x experiência

Tem muita gente que aposta em anos de experiência ou em grandes trabalhos como algo suficiente para se destacar. Mas, nas palavras de Hastings, é melhor ter dez pessoas talentosas trabalhando do que 20 pessoas experientes.

Mas cuidado com más interpretações. Isso não quer dizer que alguém experiente não tenha talento. É que muitas vezes o mercado de trabalho acaba colocando na frente pessoas com mais tempo ativo do que pessoas com boas habilidades, mas que ainda não tiveram a chance de mostrar.

E o CEO também afirma que o talento está presente em diversas posições de uma empresa, não só na alta gestão, o que significa capacidade de gerar ótimos resultados para o cliente em qualquer situação. Então, que tal pensar no seu talento a partir de agora e trabalhar isso a seu favor?

Humanidade não é questão de modismo

Foi em uma comparação entre o modo de trabalhar dos funcionários da Netflix norte-americana e das demais unidades na América Latina que ficou claro como o trabalho pode ser diferente a partir de relacionamentos humanos. No caso dos latino-americanos, a confiança no trabalho é gerada a partir das afinidades criadas no ambiente empresarial.

Por isso a Netflix resolveu adotar esse modelo para substituir o costumeiro dia a dia focado em business. Agora, é padrão ter reuniões que se iniciam de forma leve e com os participantes falando mais sobre eles mesmos e suas famílias antes do assunto realmente se desviar para os negócios.

Portanto, lembrar sempre que existe humanidade por trás das pessoas é o caminho para uma cultura saudável e repleta de pequenas lideranças.

Alta performance acima dos problemas?

Hastings é categórico ao dizer que não se julga desempenho em uma única ação. Sendo assim, aquela máxima de ter níveis exemplares de performance todos os dias não é justa ao ser direcionada para pessoas. Sabe por quê? Temos nossos altos e baixos. Cobrar criatividade, otimismo e colaboração todos os dias, por exemplo, acaba se sobrepondo às individualidades momentâneas.

Basta pensar no tópico anterior, em que falamos sobre humanidade. Ninguém consegue ser perfeito o tempo todo, nem mesmo o próprio CEO da Netflix, então fazer julgamentos baseados em momentos (que podem fugir do nosso controle) não é certo. Avaliações de desempenho, inclusive, devem levar em conta análises de longo prazo.

E se o lugar em que você está não tolera erros ou imprevistos, cabe a você tomar a decisão de permanecer ou buscar empresas que levam realmente a sério a individualidade de cada funcionário.

A falsa promessa da felicidade

Tem empresa que prega aos quatro ventos que a inovação está em considerar o funcionário parte da família, mas, ao primeiro sinal de problemas, promove demissões em massa ou não é sincera sobre o cenário pelo qual está passando.

Para Hastings, mais vale considerar os funcionários como um time, em que várias pessoas vencedoras trabalham muito bem juntas, se baseando na honestidade e não em palavras bonitas, do que chamar a todos de família.

Dentro da Netflix, ainda, a felicidade é vista como algo relativo. Por lá, o que se prega é a confiança, pois este sentimento é mais importante em momentos de dificuldades do que a impressão de estabilidade por estar feliz o tempo todo.

Ideias novas sem pressão

O mal de muitas reuniões é a cobrança por ideias incríveis naquele exato momento. Provavelmente você já passou por isso ou ainda vai passar, lamentamos informar. Seja movido pela urgência ou não, uma coisa é certa: boas ideias não precisam ter data e hora para acontecerem, então, para que forçá-las em momentos de pressão?

E se engana quem pensa que pensamentos originais são melhores em situações de limite e caos. Às vezes são, mas muitas vezes não são.

A grande sacada do CEO da Netflix é oferecer boas condições para ter boas ideias, ou seja, permitir que elas possam acontecer o tempo todo. E a boa notícia é que outras empresas já estão se inspirando nesta lição. 

 

Gostou de entender mais como é a visão da Netflix sobre o trabalho?

Então que tal ler o livro A Regra é Não Ter Regras e depois comentar com a gente o que achou? 😉