O que esperar da pecuária de corte do futuro?

Forte e moderna, a pecuária de corte do futuro está se estruturando no minuto em que você lê esta matéria. O crescimento e amadurecimento do setor vem com o aumento do uso de tecnologias e com o distanciamento de alguns conceitos passados.

Para ajudar a entender o contexto e as possibilidades de mudança, o professor Thiago Bernardino, do curso de Gestão de Custos da Cadeia Pecuária de Corte, participou do webinar A Pecuária do Futuro: Um Diagnóstico de Mercado.

Antes de tudo, é preciso saber que a pecuária de corte do futuro engloba toda a cadeia: insumos, sanidade, nutrição, genética, pastagem, transporte, produção dentro da porteira, etapas pós-porteira, indústria frigorífica, consumidor, varejo, atacados, traders, além de ONGs (Organizações Não-Governamentais), governo, universidades e sociedade.

É por isso que a sustentabilidade é uma das características desse setor e deve estar presente em três grandes pontos:

  • Sustentabilidade econômica: determina o futuro das propriedades voltadas para a pecuária. Assim como as empresas e indústrias, sem retorno financeiro, elas podem decretar falência, ser arrendadas e até migrar para outras culturas.
  • Sustentabilidade social: a sociedade recebe retorno e enxerga os benefícios que a propriedade devolve para a comunidade em que está instalada, como geração de empregos e divisas.
  • Sustentabilidade ambiental: além da preocupação ambiental, o ambiente da fazenda também deve ser sustentável, com funcionários satisfeitos e respeito às pessoas e natureza. O ambiente dos negócios e a relação produtor-indústria precisa ser transparente para desmistificar alguns temas e se tornar um mercado de pecuária mais claro.

Os últimos anos

“Se fizermos um paralelo com a indústria automobilística, a pecuária seria a indústria de desmontagem. Isso significa que um produto pode se transformar em mais de 400 outros”, exemplifica Bernardino.

Este contexto fez surgir a necessidade de um bom produto, com pagamento e premiação melhores, mudando diretamente o mercado. O frigorífico, por exemplo, não consegue transformar um boi ruim em uma carne boa. Mas, se não tiver qualidade de conservação e manuseio, pode transformar um boi bom em uma carne ruim.

O professor ressalta que isso ocorre também em outras culturas. “Até uns tempos atrás, o leite recebia prêmio por proteína, por exemplo. Hoje a maioria é por volume mais padronizado e homogêneo, independentemente se tem mais de gordura ou proteína.”

Padronização

“Não existe mais carne disponível no mundo”. Essa fala do professor abriu discussão a respeito da padronização da carne brasileira, que tem diferentes mercados para atingir.

“O mercado interno representa de 75% a 80% do mercado da pecuária de corte. Contudo o externo vem aumentando a demanda pela nossa carne. Exportamos carne, até agosto de 2018, para 120 países. Em 2019, já são mais de 140. Por isso, é preciso entender tanto o consumidor quanto a indústria e o varejo”, comenta.

Para exemplificar melhor, Bernardino fala sobre a Argentina, que produz carne, mas tem limite geográfico e passou por um fechamento de governo, assim como o Paraguai. A Austrália e os EUA (Estados Unidos da América) são grandes competidores, mas passam pelo processo de exportar demais e inflacionar o mercado interno ou acabam abrindo mão desse mercado.

Assim, o cenário é muito favorável para o Brasil na pecuária de corte do futuro. “Dolce Gusto, Starbucks e cervejas artesanais são alguns exemplos de que o consumidor busca por padronização, experiência e novidade. Mesmo que não consiga consumir sempre porque paga mais por isso.”

Quebrando paradigmas

Mas como se preparar para este futuro? Para Bernardino, a resposta está na quebra de paradigmas. “A primeira grande quebra ocorreu em 2017, com a abertura de capital de grandes empresas. Isso levou à profissionalização de negociações e redução de custos de transações”, explica.

A segunda quebra absorve o produtor. Com o aumento da renda per capta há maior consumo de proteína animal, especificamente carne bovina. Tanto que as butiques de carne que surgiram não são butiques de frango. O brasileiro passou a demandar mais qualidade e a indústria foi forçada a oferecer produtos padronizados e diversificados.

“O açougueiro não consegue mais enganar o consumidor. Em vez de carne de primeira ou de segunda, agora é boi de primeira ou de segunda. O melhor exemplo disso são as redes de fast food que oferecem lanche de angus (uma raça de bovinos)”, comenta.

Já a terceira – e maior – transformação foi dentro da porteira e serve com um diagnóstico da produção. O mercado pode ser dividido em classes que consomem carne a partir do preço e classes que consomem com base no padrão, qualidade e maciez. E existe mercado para esses dois tipos de consumidores.

A dica de Bernardino é investir, simultaneamente, em quatro pilares: genética, nutrição, sanidade e pasto. Não adianta investir em um só.

Principais desafios

Para concluir, Bernardino explica que a pecuária de corte do futuro é eficiente, estratégica, clara e parceira da sociedade, com produtos bons, bem-estar animal e preservação do meio ambiente. Ele ainda elenca os principais desafios.

  • Comunicação: a propriedade precisa se abrir. “Aeroportos colocam vidros para vermos o transporte de nossas malas. Os restaurantes abrem espaço para conhecermos as cozinhas. É preciso fazer esse marketing para o consumidor, mostrar retorno social, preservação e benefícios para funcionários.”
  • Modismos: algumas pautas mais polêmicas precisam ser tratadas com estratégia e inteligência para mostrar a realidade da pecuária.
  • Gestão: o produtor precisa ter controle das informações para aliar tecnologias e ferramentas. Sem esquecer, claro, de uma boa gestão de custos, preços, RH (Recursos Humanos), ambiental entre outras.
  • Câmbio: o aumento do dólar ajuda na exportação da carne, mas encarece produtos importados, como insumos e medicamentos.
  • Grãos: a safra de grãos está muito boa e a oferta dos EUA está menor. Por isso vamos exportar mais produtos como milho. “A dica é fazer conta e planejamento: se a tendência são custos mais elevados, devemos pensar em economia produzindo mais.”

Se você perdeu o webinar, não se preocupe. Confira o conteúdo completo sobre pecuária de corte do futuro aqui.

A Plataforma Solution tem cursos da área de Agronegócios.

Fique de olho nos próximos webinars da Plataforma Solution!