Açúcar X Etanol: para onde é destinada a cana-de-açúcar?

Cultivada em mais de 100 países em todo o mundo, a cana-de-açúcar é uma das principais culturas do agronegócio e movimenta milhões de reais todos os anos com as produções de açúcar e etanol, especialmente no Brasil.

O evento Expedição Custos Cana, organizado e realizado pelo Pecege, reuniu nomes importantes do agronegócio para debater o futuro das próximas safras de cana-de-açúcar, especialmente para 2019/2020 no Centro-Sul brasileiro.

A conclusão foi um cenário otimista para a produção da matéria-prima, mas com possível diminuição da quantidade de açúcar produzido e aumento do etanol. As previsões foram feitas durante o evento por Luiz Carlos Corrêa Carvalho, diretor da Canaplan, e Tomás Manzano, diretor de estratégia da Copersucar.

Contrariando as expectativas apontadas em uma reunião de tradings (empresas intermediárias) em Dubai, que previam o aumento da produção de açúcar pelo Brasil, o país tende a ampliar o mix alcooleiro na safra 19/20. Por isso, haveria nova redução na manufatura do açúcar a partir da cana-de-açúcar, uma tendência que vem se apresentando desde a safra passada.

Números

A expectativa para a safra 19/20 da região Centro-Sul prevê entre 26 e 27 milhões de toneladas de açúcar. Se esses números se confirmarem, será a menor produção de açúcar da região desde a safra 2007/2008. Já o etanol deve ficar em torno de 29,8 bilhões de litros.

Cenário

No Brasil, o aumento do consumo do etanol nos últimos meses foi o principal indicativo para que a produção de cana-de-açúcar voltasse a ampliar o processamento do biocombustível.

A gradativa demanda por álcool é um reflexo da alta do petróleo, que, de acordo com Carvalho, deve manter o valor do barril entre 60 e 70 dólares por mais algum tempo. Esse comportamento do consumidor se justifica pela disparidade entre o preço do litro da gasolina versus o valor do litro do álcool na bomba.

O clima também é um fator que contribui para avaliar o nível de Açúcar Total Recuperável (ATR): quanto mais úmido, menor é o teor de açúcar na cana. Isso leva as usinas a produzirem mais o etanol.

Paralelamente, nos Estados Unidos da América, o E15, mistura de 15% de etanol na gasolina, está em amplo desenvolvimento. O que vigora no país é o E10. O E15 é proibido no verão, por receio que a combinação contribua com o aumento de fumaça nos dias muito quentes.

Índia

Um dos crescentes concorrentes do Brasil em produção de cana-de-açúcar é a Índia. Porém, as recentes eleições identificam possibilidade de recuo do país. Este cenário pode colocar o açúcar brasileiro em evidência novamente.

“Estamos no centro de negociações complexas, que vão desde o acordo entre Estados Unidos e China até conflitos no Oriente Médio e o Brexit. A Índia deve fazer uma reflexão após as eleições e não deve mais dar sequência à forma subsidiada com a qual trabalham a cana, o país deve recuar”, explica Carvalho.

Pensando nisso, existe uma expectativa de recuperação de produtividade da cana-de-açúcar e do adoçante em si, mesmo numa safra mais alcooleira, como é previsto para esta temporada, enfatiza Manzano.

“A reversão no cenário de cana-de-açúcar ainda será um pouco lenta, mas a oferta de produto de outros países também será menor. Os EUA estão vivendo um excesso de produção e devem caminhar para o equilíbrio. Essa é uma boa notícia para o Brasil, já que tudo caminha para enxugar o estoque deles e aumentar a necessidade sobre o produto brasileiro. Infelizmente temos necessidade de investimento para suportar tal demanda, mas ainda segue sendo um fator positivo. Temos espaço para ganhar produtividade”, ressalta Manzano.

Saiba mais sobre a projeção do agronegócio brasileiro para 2019.