pecuária do futuro

Que o Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, todos já sabem, assim como do potencial de crescimento agropecuário que o país pode atingir. A agricultura, desde a década de 90, vem mostrando anos após ano, com emprego de tecnologia no campo, essa capacidade de atender a demanda mundial por mais alimento e cada vez mais barato.   

A pecuária, por sua vez, nos últimos 10, 15 anos começou a passar por grandes transformações estruturais em toda a cadeia, desde a cadeia de insumos, com a concentração e internacionalização das empresas, passando também por profissionalização da indústria frigorífica e também mudanças na demanda do consumidor.

Um dos principais elos, o dentro da porteira, não ficou de lado, vem correndo atrás para conseguir acompanhar a maior competitividade pelos fatores de produção (terra, capital e mão-de-obra), assim como produzir mais carne num espaço curto de tempo e em menos área.

Atualmente, esse é o grande desafio do setor, o elo produtivo na fazenda. Como produzir mais com menos, num ambiente cada vez mais acirrado por competição de área, custos em alta e pressão por qualidade, segurança alimentar e riscos de preços?

A resposta para esse questionamento se chama gestão. Simples assim? Não! Mas o pecuarista que não possuir um gerenciamento de toda a atividade será passado cada vez mais para trás e verá seu patrimônio depreciar, isso se não acabar. Isso porque em um ambiente altamente competitivo a rentabilidade da atividade ocorre, na maior parte do tempo, pelo aumento de produtividade, e não apenas pelas altas de preços.

A gestão de uma empresa pecuária não é simples. Estamos falando de uma atividade com investimentos de longo prazo e que, dependendo do sistema empregado na fazenda, pode não ter receitas num curto período. Assim, pode necessitar que, além de planejamento e gestão, o pecuarista possua capital de giro e caixa para momentos de dificuldade.

Além disso, o planejamento precisa ser estruturado em quatro grandes pilares: produção, comercialização, financeiro e recursos humanos. O primeiro, produção, se torna mais palpável e claro para o produtor devido aos resultados serem nítidos aos seus olhos. Ou seja, investimentos em genética, pastagem, alimentação e bom manejo sanitário, trazem resultados em curto e médio-prazos, com aumento de produção e melhora nos índices produtivos e zootécnicos. Um ponto importante, e que se relaciona com gestão, é a necessidade de melhorar os quatro pilares conjuntamente e não apenas um ou dois deles. O sistema produtivo, quando não melhorado de forma correta e contínua, traz mais gastos ao produtor.

Os demais pilares, comercialização, financeiro e mão-de-obra, completam a gestão na forma organizacional da produção. Uma boa compra de produtos, um bom relacionamento com empresas de insumos e cliente final, assim como uma boa gestão de custos e receitas da atividade e, por fim, um alto comprometimento das pessoas que fazem a atividade acontecer, contribuem para que o sistema como um todo flua com o foco de aumentar a produtividade reduzindo custos fixos.

Todo esse processo de gestão da atividade nesses quatro pilares só dará certo se o pecuarista empresário conseguir ter em sua empresa uma gestão de informação sistemática e eficaz. Saber o que acontece realmente no dia a dia da propriedade e conseguir transformar as informações em números para a tomada de decisão é o ponto chave para a pecuária do futuro.

A intensificação da produção com novas tecnologias, o emprego de ferramentas de gestão de risco de preços, assim como o treinamento de pessoas e envolvimento delas na produção, são fundamentais. No entanto, nada disso trará resultados positivos se o pecuarista não conhecer a fundo sua atividade, sua empresa e conseguir fazer com a informação flua de forma trazer os resultados esperados.

A capacidade do Brasil de aumentar a produção de carne fica evidente pela disponibilidade de fatores de produção, além de clima, e também pelos baixos índices zootécnicos. A grande chave para que o país assuma de vez esse papel e faça a pecuária do futuro com uso eficiente dos fatores passa pelo maior conhecimento da atividade e uma gestão eficiente desses fatores, mas também da informação que eles geram.

*Thiago Bernardino é professor do curso de Gestão e Custos da Cadeia de Pecuária de Corte da Plataforma Solution

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