pecuária de corte

O Brasil, em um contexto global de produção de pecuária de corte, é um dos grandes “players”, com uma das maiores produções. Seja pela extensa área para criação de gado ou pelo fácil acesso a grãos para alimentação do boi, o fato é que o país realmente se posiciona como grande player e o mundo tem uma dependência do mercado brasileiro de proteína animal como um todo – boi, frango, suínos, ovos e até o leite.

De acordo com o professor da Plataforma Solution, Thiago Bernardino, ainda assim o país produz menos do que poderia. “Quando falamos que o Brasil tem problemas de oferta de carne, quer dizer que produzimos abaixo do potencial que temos. Podemos ter uma larga produção pelas condições de área, água, pasto e clima”, afirma. “Mas poderia ser ainda melhor”, completa.

Apesar de ser um dos maiores exportadores de carne bovina, apenas 20% da produção no Brasil é de fato comercializado fora. Escândalos econômicos envolvendo empresas de exportação de carne bovina, em 2017, tiveram impacto no mercado, diminuindo a oferta para o exterior e elevando preços. Para manter e até abaixar os preços é necessário produzir mais.

Baixa produtividade

Uma das explicações para essa produção abaixo do esperado é porque por muito tempo o gado foi encarado como reserva de valor. “Ele era colocado no pasto para garantir a posse de terra”, afirma o professor.

Isso fazia com que a rotatividade no pasto fosse grande, os donos das terras as vendiam e compravam com muita rapidez. Essa tradição hoje em dia não é mais tão comum, mas ainda é motivo para a baixa produtividade em alguns locais no país.

Outra razão é a tradição do pastejo, ou seja, gado criado solto. Nesses casos, os bois ganham em média 800 gramas por dia. Em confinamento, a média é de 1,8 kg ou até 2 kg. Isso faz com que o ciclo de produção da pecuária de corte dure em média de 80 a 120 dias. No pastejo pode chegar a um ano.

Como no Brasil o espaço não é um problema, é comum que os produtores não se incomodem em criar os animais soltos – além de essa técnica ser mais barata. “Enquanto em outros países com menos área para produzir eles fazem o máximo que podem com menos. Isso exige mais, o produtor acaba por colocar mais tecnologia, produz mais e um animal mais pesado”, completa o professor.

Perspectiva

Com a economia do país se estabilizando, a tendência é que os produtores de carne invistam em tecnologias em vista de melhorar a produtividade. “Espera-se que a gente aumente o consumo de carne bovina internamente. As exportações vão continuar crescendo”, afirma Bernardino.

Além disso, com o crescimento de consumo interno e externo, a oferta também deve aumentar. O cenário deve ser positivo nos próximos anos, de acordo com o professor.

Apesar de o país ter espaço “de sobra” para produção de gado, a perspectiva é que isso também diminua cada vez mais. Isso porque há o crescimento das cidades e culturas agrícolas que também precisam de espaço. “Isso traz uma competição maior para a pecuária, exigindo que invista para aumentar a produtividade sem precisar de tanto espaço”, finaliza.

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