A transformação digital financeira e as empresas de tecnologia

Praticamente todos os segmentos da sociedade estão passando por mudanças e tudo que envolve dinheiro acaba atraindo os olhares mais atentos, tanto da população quanto das empresas. Por isso a transformação digital financeira é um dos grandes destaques de 2020, especialmente quando ligadas às gigantes de tecnologia.

Parece que uma coisa tem pouco a ver com a outra, mas se você observar a movimentação do mercado vai encontrar nomes como Google, Apple, Facebook e Uber em um processo muito interessante de adaptação às novidades da era da transformação digital financeira.

Isso porque essas empresas estão se tornando bancos ou atuando diretamente com serviços financeiros. As finanças estão sendo reinventadas.

As últimas novidades

Notícias recentes apontam que, ainda em 2020, o Google oferecerá serviço de conta corrente aos usuários, por meio de uma parceria. Já o Apple Card, um cartão de crédito da companhia com a bandeira Mastercard, está disponível desde o ano passado para quem tem iPhone.

O Facebook investiu na sua própria cripto moeda, a Libra, que deve estar disponível em breve, além do Facebook Pay, um sistema unificado de pagamento para as plataformas da rede social.

Enquanto isso, a Uber Money é a carteira digital da Uber para motoristas e entregadores do aplicativo, também lançada em 2019.

Vantagens

Mas, afinal, quais as vantagens dessas empresas participarem tão ativamente da transformação digital financeira? A primeira delas é a quantidade de usuários registrados nas plataformas.

São milhões de assinantes, espalhados por todo o mundo. Muito diferente de um banco convencional ou até mesmo das novas fintechs e bancos digitais, que surgiram apenas nos últimos anos, essas gigantes da tecnologia já abraçam o mercado há muito tempo.

Além disso, os aplicativos de bancos estão longe de serem os mais populares nas lojinhas de apps dos smartphones. Plataformas como Facebook, por exemplo, detêm cada vez mais, e por mais tempo, a atenção e os dados dos usuários.

Então, é possível entender por que essas companhias estão tão interessadas na transformação digital financeira. Os serviços financeiros seriam uma forma de manter os usuários ainda mais tempo nas plataformas, aumentando a aderência e, consequentemente, a monetização com publicidade e e-commerce.

Responsabilidade de dados

As empresas de tecnologia ainda saem na frente das instituições tradicionais na questão de cruzamento de dados. Elas têm a possibilidade e a facilidade de conhecer o usuário e oferecer produtos financeiros com base no real comportamento de consumo.

O uso de inteligência artificial potencializa ainda mais a assertividade de oportunidades. O Google, contudo, afirma não utilizar dados do Google Play para gerar publicidade nem compartilhar essas informações com anunciantes.

A principal dificuldade é como regulamentar esse setor e essas novas práticas, inclusive a respeito da concorrência. Já existe, nos EUA, sede das principais empresas de tecnologia, certa movimentação dos órgãos regulamentadores com o objetivo de adaptar leis à transformação digital financeira e às novidades que vêm com ela.

E nem tudo são flores. A Apple já teve algumas desavenças com o Goldman Sachs Group, banco parceiro na criação do Apple Card, além de acusações de sexismo. Já o Facebook perdeu aliados no projeto da Libra após uma reação regulatória adversa.

O que esperar dos próximos passos da transformação digital financeira? Compartilhe suas expectativas com a gente!

Falando em finanças, que tal melhorar sua organização financeira?

Como melhorar a organização financeira

Existe um desejo que une várias pessoas quando um novo ano está prestes a começar: melhorar a organização financeira. De fato, não existem tantas prioridades quanto começar um novo ciclo livre de dívidas e, quem sabe, com um pouco mais de fôlego no saldo bancário.

Equilibrar as contas, conseguir poupar e poder investir o dinheiro em algo especial, ainda assim, não é tarefa fácil. Dicas não faltam, mas as tentações também estão constantemente presentes.

A princípio, é preciso treinar a mente para entender a realidade das finanças pessoais. Somente dessa forma você conseguirá aproveitar das estratégias adotadas para ter uma boa organização financeira sem cometer erros tão comuns.

Onde estou falhando

Quando falamos de erros, o maior deles é aquele menos notado: não cuidar do salário. A preocupação em quitar as dívidas e em poupar pode ofuscar os limites da sua remuneração. Claro que novos gastos entram também nessa série de problemas para deixar a conta vazia.

A recomendação mais importante que todo especialista em economia é ter cuidado com a receita x despesas. E é fácil cair em armadilhas quando você se sabota para pagar algo antes mesmo de ter o dinheiro no bolso. Atender a atos impulsivos só vai bagunçar os objetivos financeiros.

Um plano ideal para contornar isso é aguardar a remuneração para fazer o pagamento de contas fixas. Depois, o saldo deverá cobrir os outros planos, que envolvem a compra de certas coisas.

Não pare por aí

Traçada uma estratégia para aplicar o salário, chega o momento de se livrar das intermináveis dívidas. Neste momento não tem receita complexa, é importante parar de gerar novos débitos. É aquela velha história da bola de neve.

Liste tudo que pode ser pago à vista e priorize sempre as contas em atraso. Se o problema for um empréstimo, vale a pena entrar em contato com os credores e renegociar para uma realidade que se encaixe com sua organização financeira – só não vale descumprir o acordo e se endividar novamente.

Quando estiver em dia com todos os boletos, pese seus gastos, sejam eles mensais, semanais ou diários. Poucas pessoas têm noção de quanto e em que gastam seu dinheiro. O que pode ser um cafezinho hoje e um almoço amanhã, vira um grande desfalque ao final do mês.

Quando achamos que temos controle total sobre nossos gastos e que podemos lembrar de ter comprado algo hoje dentro de duas semanas, a situação sai ainda mais do controle. Ao final, a única pergunta que sobra é “aonde foi parar o meu dinheiro?”.

A tecnologia pode ser uma aliada nesse momento. Com uma simples planilha do Excel ou aplicativos de organização financeira disponíveis de forma gratuita, como Minhas Finanças e GuiaBolso, é possível manter o controle de receita x despesas sem precisar de muitas anotações.

Os aplicativos disponibilizam, inclusive, sincronização com as contas. Isso significa que o trabalho de anotar manualmente será quase zero e vai ser praticamente impossível esconder o que andou comprando de você mesmo.

Sobrou algo?

Se até aqui tudo pareceu bem simples – ou não -, então chegamos ao ponto importante da conversa sobre organização financeira. Livre de dívidas, é preciso traçar rapidamente um plano para o dinheiro antes que ele volte a sumir.

Ter uma finalidade para qualquer valor que entra na conta ajuda a manter uma organização financeira mais em dia. Muitas dicas da economia apontam para reservar partes a destinos específicos.

Atualmente, a estratégia mais usada é a 30/70. E nada mais é que reservar 30% do salário ou qualquer outro tipo de remuneração para guardar e aplicar em um plano específico de médio e longo prazo, como uma viagem ou aquisição grande. Com a outra porcentagem, 50% precisa ser para gastos fixos, os famosos boletos e gastos no supermercado.

A parte boa é que os 20% restantes servem para uso pessoal, que pode incluir seu orçamento mensal para compras de roupas novas, passeios, cosméticos ou alguma nova experiência que não faz parte do dia a dia.

Lembra do investimento? Procurar qual será mais vantajoso pode ajudar a render ainda mais o dinheiro. Existem sites que simulam e explicam a diferença entre diversos tipos de economias e aplicações.

Já sabe como cuidar das suas finanças? Deixe nos comentários as dicas que você também segue 😉

Análise Pestel como estratégia para crescimento dos negócios

As empresas que estão em processo de formação ou as instituições que se sentem um pouco fora do contexto em que estão inseridas podem aplicar a análise Pestel como estratégia para crescimento dos negócios. 

Ao mesmo tempo que são muito importantes para o desenvolvimento das empresas, os fatores externos podem ser bastantes desafiadores quando o assunto é monitorar seus impactos. Por isso a análise Pestel pode ser útil para empresas de todos os tamanhos.

Afinal, o que é a análise Pestel?

A função dessa técnica é fornecer uma visão macro e atual da empresa. Isso significa entender como a política e economia do país, por exemplo, impactam nas operações internas. Para isso, esses fatores externos são separados em tópicos e, a partir de pesquisas e raciocínio, são listadas as principais tendências que podem refletir no negócio.

Os elementos relevantes para a análise englobam aspectos políticos, econômicos, sociais, tecnológicos, ambientais e legais. As palavras em inglês formam o acrônimo Pestel: Political, Economic, Social, Technological, Environmental e Legal.

Mas isso não significa que não possa haver adaptações. Algumas empresas também consideram elementos demográficos, éticos, interculturais e ecológicos durante a análise.

Benefícios

As vantagens de fazer a análise Pestel são muitas. Confira algumas que a Plataforma Solution separou:

  • Identificação de oportunidades
  • Prevenção de ameaças
  • Baixo custo
  • Desenvolvimento de alertas

Fatores políticos

A rentabilidade das operações de empresas do setor privado brasileiro está diretamente ligada à economia do país que, por sua vez, está ligada à situação política. Os empresários costumam dizer que um governo que interfere demais cria desafios maiores aos empreendedores.

Assim como a criação de novas tarifas, por exemplo, que podem impactar na produção. Dessa forma, é importante identificar quais são essas tarifas, bem como quais elementos podem influenciar seu negócio.

Uma dica é ficar de olho nas próximas eleições, nos candidatos e nas propostas para comércio exterior e legislação trabalhista, ambiental e tributária. Também é importante saber como o governo lida com o seu setor, quais as restrições impostas e quais as principais questões de proteção ao consumidor.

Fatores econômicos

A análise Pestel divide os fatores econômicos em dois. Os macroeconômicos contemplam as condições mais abrangentes de oferta e procura. Eles incluem taxas de inflação, câmbio e juros e índices de desemprego.

Já os microeconômicos são mais focados no consumidor e sua capacidade de compra. Um aumento de renda mensal, por exemplo, pode significar novas possibilidades de produtos e serviços mais selecionados e preços mais robustos.

O ponto de partida pode ser uma avaliação do cenário econômico como um todo, para saber se ele está estagnado, crescendo ou em declínio, quais as facilidades de crédito aos consumidores e como estão as taxas e variações do mercado.

Fatores sociais

Quem trabalha com marketing sabe da importância da segmentação demográfica do público-alvo para a estratégia da empresa. Isso quer dizer que o contexto social das pessoas deve influenciar a criação de campanhas a fim de promover maior engajamento e conversão.

Esse conceito também é aplicado à análise Pestel, que deve entender as influências culturais e as crenças da comunidade em que a empresa está inserida.

Algumas sugestões são: avaliar a taxa de crescimento populacional, as distribuições etária e de renda, os principais estilos de vida e as barreiras culturais, assim como analisar se a situação social local gera alguma demanda específica, como nas áreas de saúde e segurança, por exemplo.

Fatores tecnológicos

A tecnologia é um fator que influencia em todas as áreas de uma empresa. A transformação digital possibilitou que empresas entrassem em mercados ainda pouco explorados, de forma eficiente.

A análise dessa característica evita desperdício de tempo e dinheiro, já que auxilia no mapeamento do mercado com o objetivo de oferecer soluções para os desafios operacionais.

Você pode pesquisar as tecnologias disponíveis para automatização dos processos da empresa e quais ferramentas são utilizadas pela concorrência, por exemplo.

Fatores ambientais

Toda gestão empresarial deve estabelecer uma boa relação com o meio ambiente. Uma das justificativas são as novas formas de consumo, que estão cada dia mais conscientes, responsáveis e sustentáveis.

Esses fatores também influenciam a disponibilidade de recursos e matérias-primas, além de metas de poluição estabelecidas pelo governo.

Por isso, é importante considerar a regulamentação ecológica do setor, como as operações afetam o meio ambiente e se é possível reparar ou reduzir esses impactos, com a possibilidade de fontes renováveis.

Fatores legais

Saber e respeitar a legislação é fundamental para as empresas. Assim, a análise Pestel verifica esses fatores, a fim de evitar danos financeiros e perda da credibilidade perante o público.

Os principais fatores legais que envolvem empresas estão ligados às legislações trabalhista, do consumidor, patentes, de saúde e segurança.

A dica aqui é identificar essas legislações e manter-se sempre atualizado com as alterações jurídicas.

Você já aplicou a análise Pestel? Conte para a gente suas experiências!

Conheça as principais modalidades de seguro rural

O cenário brasileiro ainda é pouco desenvolvido quando falamos de modalidades de seguro rural. Contudo, o setor é muito suscetível a riscos, por isso essa opção de garantia é uma forma de manter a atividade financeiramente estável.

Eventos naturais diversos, ligados ao clima e pragas, por exemplo, são responsáveis pela exposição do setor rural a ameaças financeiras. Tudo isso fez com que o governo brasileiro incentivasse esse tipo de seguro por meio de legislação.

Quer saber mais? Então confira as principais modalidades de seguro rural, detalhadas por Lucas Magro Koren, membro do Geser (Grupo de Estudos em Gestão de Seguros e Riscos da Esalq/USP).

Seguro agrícola

Para se blindar dos eventos adversos, Koren cita o seguro agrícola como modalidade destinada às perdas na atividade rural. “A justificativa para essas perdas podem variar, assim como o Limite Máximo de Indenização (LMI)”, explica.

O LMI pode seguir diferentes métricas, elencadas por Koren:

  • Seguro de custeio: LMI calculado com base no valor desembolsado ao custeio da lavoura assegurada;
  • Seguro de produção (produtividade e preço): LMI calculado com base na promessa de produtividade na área assegurada multiplicada por um preço estabelecido no momento da contratação da apólice;
  • Seguro de faturamento ou receita: LMI calculado com base no faturamento a ser obtido com a produção, considerando a produtividade estimada e o preço do produto no mercado futuro.

Seguros patrimoniais rurais

O patrimônio do produtor rural está em constante exposição às inúmeras formas de depreciação e perda. Por isso, como ele é utilizado durante todo o processo produtivo da área, é importante garantir, em caso de alguma fatalidade, a reposição dos bens e manter a continuidade da exploração agrícola.

Koren divide essa modalidade de seguros rurais em duas categorias. “As duas opções são destinadas ao patrimônio em si, como máquinas e implementos e construções rurais. A diferença está nos produtos armazenados”, destaca.

  • Seguro de penhor rural: voltado ao patrimônio agrícola e produtos armazenados vinculados como garantia de operação de crédito rural;
  • Seguro de benfeitorias e produtos agropecuários: voltado ao patrimônio agrícola e produtos armazenados que não estejam vinculados como garantia de operação de crédito rural.

Seguro de vida do produtor rural

Uma das modalidades de seguro rural está relacionada ao produtor rural. Koren justifica que ele é o responsável por conseguir crédito para custeio ou investimento da atividade agrícola.

“Por isso, em caso de morte ou invalidez, o produtor rural garante, com essa modalidade, a liquidez de suas dívidas, proporcionando mais tranquilidade e segurança para sua família”, ressalta. 

Bônus: outras opções

Outras modalidades de seguro rural são menos conhecidas, mas também podem ser utilizadas no agronegócio.

  • Seguro pecuário: cobre danos diretos e indiretos aos animais destinados ao consumo, produção, trabalhos destinados à sela, trabalhos por tração, transporte e reprodução (incremento de planteis – animais reservados exclusivamente para procriação);
  • Seguro aquícola: indeniza morte e demais riscos inerentes a animais aquáticos, como peixes e crustáceos;
  • Seguro de florestas: paga indenização sobre riscos em florestas em formação ou formadas, em perdas decorrentes de incêndio, eventos biológicos e meteorológicos;
  • Seguro de Cédula de Produtor Rural (CPR): garante ao segurado o pagamento de indenização em caso de não cumprimento comprovado, por parte do produtor rural, das obrigações estabelecidas na CPR.

Legislação

Pela deficiência do mercado nessa área, Koren explica que o governo brasileiro criou o Programa de Subvenção ao PSR (Prêmio do Seguro Rural) e passou a conceder subsídio econômica ao prêmio (valor) das modalidades de seguro rural.

Isso significa que a lei 10.823 de 2003 facilitou a contratação de apólices para o produtor rural, já que o Governo Federal arca com uma parcela dos custos do contrato.

A responsabilidade pela formulação e execução do programa é do Deger/Spa (Departamento de Gestão de Risco Rural da Secretaria de Política Agrícola), do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Leia também: Big Data no agronegócio: 5 benefícios da tecnologia no campo.

Açúcar X Etanol: para onde é destinada a cana-de-açúcar?

Cultivada em mais de 100 países em todo o mundo, a cana-de-açúcar é uma das principais culturas do agronegócio e movimenta milhões de reais todos os anos com as produções de açúcar e etanol, especialmente no Brasil.

O evento Expedição Custos Cana, organizado e realizado pelo Pecege, reuniu nomes importantes do agronegócio para debater o futuro das próximas safras de cana-de-açúcar, especialmente para 2019/2020 no Centro-Sul brasileiro.

A conclusão foi um cenário otimista para a produção da matéria-prima, mas com possível diminuição da quantidade de açúcar produzido e aumento do etanol. As previsões foram feitas durante o evento por Luiz Carlos Corrêa Carvalho, diretor da Canaplan, e Tomás Manzano, diretor de estratégia da Copersucar.

Contrariando as expectativas apontadas em uma reunião de tradings (empresas intermediárias) em Dubai, que previam o aumento da produção de açúcar pelo Brasil, o país tende a ampliar o mix alcooleiro na safra 19/20. Por isso, haveria nova redução na manufatura do açúcar a partir da cana-de-açúcar, uma tendência que vem se apresentando desde a safra passada.

Números

A expectativa para a safra 19/20 da região Centro-Sul prevê entre 26 e 27 milhões de toneladas de açúcar. Se esses números se confirmarem, será a menor produção de açúcar da região desde a safra 2007/2008. Já o etanol deve ficar em torno de 29,8 bilhões de litros.

Cenário

No Brasil, o aumento do consumo do etanol nos últimos meses foi o principal indicativo para que a produção de cana-de-açúcar voltasse a ampliar o processamento do biocombustível.

A gradativa demanda por álcool é um reflexo da alta do petróleo, que, de acordo com Carvalho, deve manter o valor do barril entre 60 e 70 dólares por mais algum tempo. Esse comportamento do consumidor se justifica pela disparidade entre o preço do litro da gasolina versus o valor do litro do álcool na bomba.

O clima também é um fator que contribui para avaliar o nível de Açúcar Total Recuperável (ATR): quanto mais úmido, menor é o teor de açúcar na cana. Isso leva as usinas a produzirem mais o etanol.

Paralelamente, nos Estados Unidos da América, o E15, mistura de 15% de etanol na gasolina, está em amplo desenvolvimento. O que vigora no país é o E10. O E15 é proibido no verão, por receio que a combinação contribua com o aumento de fumaça nos dias muito quentes.

Índia

Um dos crescentes concorrentes do Brasil em produção de cana-de-açúcar é a Índia. Porém, as recentes eleições identificam possibilidade de recuo do país. Este cenário pode colocar o açúcar brasileiro em evidência novamente.

“Estamos no centro de negociações complexas, que vão desde o acordo entre Estados Unidos e China até conflitos no Oriente Médio e o Brexit. A Índia deve fazer uma reflexão após as eleições e não deve mais dar sequência à forma subsidiada com a qual trabalham a cana, o país deve recuar”, explica Carvalho.

Pensando nisso, existe uma expectativa de recuperação de produtividade da cana-de-açúcar e do adoçante em si, mesmo numa safra mais alcooleira, como é previsto para esta temporada, enfatiza Manzano.

“A reversão no cenário de cana-de-açúcar ainda será um pouco lenta, mas a oferta de produto de outros países também será menor. Os EUA estão vivendo um excesso de produção e devem caminhar para o equilíbrio. Essa é uma boa notícia para o Brasil, já que tudo caminha para enxugar o estoque deles e aumentar a necessidade sobre o produto brasileiro. Infelizmente temos necessidade de investimento para suportar tal demanda, mas ainda segue sendo um fator positivo. Temos espaço para ganhar produtividade”, ressalta Manzano.

Saiba mais sobre a projeção do agronegócio brasileiro para 2019.

Como tornar a sua empresa mais lucrativa?

É um verdadeiro desafio manter uma empresa aberta e que seja rentável. Estima-se que 24% das empresas fecham no primeiro ano e que seis de cada dez empresas fecham antes de completar 5 anos no Brasil. Se a sua empresa está enfrentando uma redução nos seus lucros ou até mesmo ameaçando fechar as portas, a teoria econômica oferece algumas dicas para transformar o seu negócio.

Joseph Schumpeter desenvolveu um conceito intitulado de “destruição criativa”, em que os mercados estão continuamente em mudança. Nesse contexto, as empresas nunca podem parar no tempo e dormir sobre os seus louros. Os mercados, a tecnologia e as preferências dos consumidores podem mudar tão rapidamente que as empresas bem-sucedidas podem, em breve, ficar para trás. Você conheceu algumas destas empresas, tais como, Nokia, MySpace e Kodak.

Qualquer falha em se adaptar e acompanhar as mudanças do mercado podem levar a sua empresa a tornar-se, rapidamente, pouco rentável e, em breve, fechar as portas. Schumpeter viu o “processo destrutivo” como um motor positivo de crescimento econômico. Portanto, para uma empresa manter-se lucrativa e rentável, envolve uma disposição contínua em fazer mudanças, as quais envolvem desde a substituição de trabalhadores por uma tecnologia automatizada até oferecer uma nova linha de produtos.

Peter Drucker argumentou que o apego à maneira antiga de fazer as coisas pode ser um grande obstáculo às empresas. Provavelmente você já ouviu a seguinte expressão: “sempre fizemos dessa forma e sempre deu certo”. Além disso, outra dificuldade que aflige algumas empresas é emocional: apego a trabalhadores pouco produtivos ou à maneira como as coisas eram feitas no passado. É por isso que pode ser útil trazer um consultor externo, que pode advogar uma mudança radical e livre de apegos.

A lição de Schumpeter é bastante simples. Você tem que enfrentar a onda de destruição criativa, mantendo-se do lado certo da mudança. Isso também passa pela motivação dos colaboradores e pela identificação de problemas. Nessa linha, o economista comportamental, Dan Ariely, alega que uma empresa de sucesso precisa ser capaz de motivar os trabalhadores. Não por meio de ameaças e metas redundantes, mas promovendo um senso de responsabilidade, confiança e orgulho do colaborador na sua atividade junto à empresa. Numa outra linha, Hirschman argumenta que as empresas podem facilmente perder sinais importantes. Ele argumenta que os consumidores usam três estratégias principais: voz, saída e lealdade. Vou exemplificar.

Quando a gente não está satisfeito com o padeiro da esquina, passamos a comprar de outro, isto é, simplesmente, “saímos”. Na política, o conceito também funciona. Deixamos o partido quando a hipocrisia passa dos limites (no Brasil temos diversos exemplos) e abandonamos a igreja quando a venda de lugares no céu passa da conta. A saída pode ser percebida pelo padeiro, ele tenta melhorar o pão, quem sabe a gente volta. Sair, às vezes, é um alerta para a organização. Para quem sai, no entanto, o significado muitas vezes é apenas evitar mais aborrecimento. Ficamos quietos e vamos embora, isto é, escolhemos outra padaria. Ou escola. Ou universidade. Ou partido. Ou igreja. Você sai, para não se incomodar.

De outro lado, há a ideia da “voz”. Abrimos a boca e tentamos mudar as coisas: melhorar o partido ou a igreja, mudar a cabeça do diretor da escola. A voz é o nosso lado participativo, político. No entanto, reclamar exige esforço e custo. A maioria dos consumidores prefere simplesmente sair e se deslocar silenciosamente para outra empresa, loja e etc. A implicação para os negócios, em mercados competitivos, é que eles podem estar perdendo a sua base de clientes, sem estarem cientes do porquê. Dizem que para cada cliente que reclama com os donos da empresa, outros 99 já saíram silenciosamente e migraram para outra empresa.

Hirschman argumenta que o segredo dos bons negócios é a disposição em identificar possíveis problemas e agir sobre eles. Isso pode exigir uma estratégia pró-ativa por meio de questionários, compradores secretos, consultores externos e, acima de tudo, uma disposição para ouvir e responder ao feedback negativo de um consumidor.

Você pode concordar com Hirschman de que o mais importante é buscar um feedback do cliente para verificar se você está cometendo algum erro fundamental e ficando para trás. No entanto, Ariely sugere que o problema fundamental pode estar em motivar seus funcionários. No entanto, será que não estamos percebendo os ventos da mudança, tal como preconizado por Schumpeter?

Haroldo Torres é economista, gestor de projetos do Pecege e professor dos cursos de Gestão de Custos nos Mercados de Grãos e Sucroenergético, da plataforma Solution. 

5 filmes sobre economia que você precisa assistir

A ficção é uma das formas de ampliar o repertório cultural e aprender sobre os mais diversos assuntos. Pensando nisso, a equipe do blog da Solution separou uma lista com dicas de filmes que – mesmo que indiretamente – falam sobre economia e o comércio internacional.

Confira:

Inside job

O primeiro item da lista de filmes é um documentário dividido em cinco partes. Sob direção de Charles Ferguson, fala sobre a crise financeira entre 2007 e 2008 nos Estados Unidos.

Cada uma das partes aborda a história que levou ao momento da crise.

A Dama de Ferro

O longa biográfico sobre a ex-primeira ministra britrânica, Margaret Thatcher, mostra desde sua infância e até o período impopular de seu governo, em 1982. O filme retrata ainda os últimos dias antes da Guerra das Malvinas, quando ela tentou salvar a carreira.

Argo

Nesta produção, seis americanos se refugiam na casa do embaixador canadense, em Teerã, em meio à revolução iraniana nos anos 1980. Nesse cenário, Tony Mendez (Bem Affleck), que é especialista em fugas da CIA, bola uma estratégia para tirá-los do país em segurança.

Ele monta um plano e inventa um filme de ficção científica para conseguir resgatá-los.

A grande aposta

Também ambientado na crise de 2008 nos Estados Unidos, o longa mostra a saída encontrada pelos grandes investidores que apostaram na queda do mercado imobiliário.

O negócio dá certo e leva outros investidores, até iniciantes, da Bolsa de Valores a apostarem na crise imobiliária. A história revela como os personagens fizeram fortuna tirando proveito do colapso econômico.

A Corporação

Este documentário do Canadá, baseado no livro de Joel Bakan (A Corporação: a busca patológica por lucro e poder), fala sobre o surgimento de grandes empresas como pessoas jurídicas e abre um debate do ponto de vista psicológico, sobre qual tipo de pessoas seriam caso fossem realmente pessoas físicas.

E você, já assistiu algum dos filmes da lista? Quer indicar algum? Comente!