Dicas

Marina Petrocelli
5 minutos de leitura
Escrito dia 17/12/2020


Depois de um ano tão atípico e surpreendente como foi 2020, pensar em (re) organizar propósitos e metas para 2021 pode soar bastante desafiador. Mas é importante ter clareza sobre alguns conceitos e objetivos para poder aproveitar esse período da melhor maneira, com determinação e firmeza nas tomadas de decisão.


As professoras Denise de Moura, dos cursos de Comportamento Organizacional e Liderança e Líder Coach da Plataforma Solution, e Carol Shinoda, professora do MBA USP/Esalq em Gestão de Projetos, comentam um pouco sobre as atitudes que devemos ter frente a esse cenário tão inédito.

Afinal, propósito é um conceito que não deveria mudar por conta de uma pandemia ou qualquer outro obstáculo.

Hora de planejar...

Se você está se perguntando se essa é a hora certa de organizar propósitos e metas, Denise responde: “Se não foi possível dar continuidade a um planejamento por conta das mudanças bruscas que tivemos, agora, mais do que nunca, é hora de nos planejarmos no curto prazo.”

Os profissionais que estão empregados podem buscar compreender a trajetória futura da empresa e quais adaptações de trabalho permanecerão (como o home office), além de realizarem uma autoavaliação para começar o novo ano nas condições estipuladas pela organização. 

Para quem perdeu o emprego durante a pandemia, a dica é analisar a relevância das funções em um mercado pós-quarentena. O começo do ano é um bom momento para refletir sobre quais competências precisarão ser aprimoradas e funções ou atividades despertam interesse.

Quanto às empresas, o ideal é ficar de olho nas demandas de clientes e parceiros, além de questionar a relevância e o diferencial de seus processos ou produtos depois da pandemia. “O que fazia sentido há alguns meses pode não ter mais validade daqui para frente”, comenta Denise.

...E olhar para trás

A atividade de organizar propósitos e metas depende de olharmos para trás e extrairmos aprendizados. “Essa atividade é muito particular. Para mim, precisei de flexibilidade para ajustar prazos e formatos e vi outras oportunidades surgirem e transformarem a ideia inicial em algo ainda mais legal”, relata Carol.

Os planos que foram limitados ou tiveram dificuldade de sair do papel podem ter sido acompanhados de novas possibilidades. “A limitação nos faz usar nossa criatividade e explorar coisas que, dentro daqueles parâmetros que conhecíamos, não conseguiríamos.”

Denise completa analisando o aprendizado durante 2020. “Muitas pessoas não sabiam que tinham tanta força e competências, adormecidas ou enferrujadas. De forma muito rápida, precisamos desenvolver flexibilidade, resiliência e tolerância. Assim, lidar com frustrações foi algo que praticamente todo mundo precisou fazer.”

Mesmo com o sentimento de impotência a frustração, podemos olhar para como organizar propósitos e metas relacionados com as competências adquiridas em vez de focarmos nas expectativas que não deram certo.

Ajustes

Segundo as professoras, o que pode ser feito com os planos que ficaram em aberto é ajustar, tanto em forma quanto em ritmo e direção. “Os ajustes precisam manter as expectativas dentro da realidade, com consciência do que está em nosso controle, dos obstáculos e das limitações.”

Por isso, Denise dá algumas dicas para você não falhar quando for organizar propósitos e metras:

  • Defina ações que você precisa desenvolver logo no início do ano (nos primeiros três meses)
  • Defina ações que você pode desenvolver até junho
  • Defina ações que podem ser completadas até dezembro
  • Acompanhe cada uma delas e, se perceber que está procrastinando alguma tarefa, não inicie outra antes de finalizá-la

Lembre-se que a finalização de metas é um grande motivador da próxima!

Conheça o antifrágil

O autor Nassim Nicholas Taleb propôs o conceito de antifrágil, relembrado por Carol. “Sempre falamos muito em resiliência, que é a capacidade dos metais e outros materiais voltarem à sua forma original depois de um impacto. Isso é transposto para o ser humano que retoma o equilíbrio mesmo depois de ser derrubado por uma patada da vida”, conceitua a professora.

Contudo, o antifrágil é um conceito que vai além. A ideia é usar os desafios como forma de crescimento e criatividade, para desenvolver novas alternativas. “Não podemos ignorar a dor de determinadas situações, mas podemos encarar que isso faz parte da vida e escolher a atitude que teremos diante daquilo.”

Denise explica que as pessoas que passaram por mudanças mais radicais durante 2020, como perder um emprego ou a recolocação em outra área, podem usar isso a seu favor e buscar reformular e ressignificar toda uma vida, pensando no que se quer daqui para frente.

E quem passou por mudanças não muito radicais (ou foram mais positivas), a Denise aposta no ajuste de prazo e na contribuição com as pessoas ao redor.

A busca por sentido

Para completar o assunto, Carol cita o psiquiatra Viktor Frankl, que viveu na época do holocausto, e seu livro “Em busca de sentido”. Fundador da logoterapia, a terapia com base na busca por sentido, ele destaca a importância do propósito como fonte de resiliência, inclusive de longevidade e saúde nos campos de concentração.

“Frankl usa uma frase famosa do filósofo Friedrich Nietzsche que diz o seguinte: ‘quem tem por que viver, suporta quase qualquer como’. Quem tinha razão de vida e pelo que sair do campo de concentração, tinha melhor saúde e vivia mais e melhor dentro daquelas condições horríveis”, explica a professora.

A partir disso, o autor propõe a análise de três tipos de valores:

  • De criação: têm a ver com trabalho, hobbies, estudos e coisas que colocamos no mundo. Dependem da interação com o mundo (e de lembrarmos que o mundo tem limitações que podem levar aos ajustes).
  • Vivenciais: estão ligados às experiências. Quando comemos uma comida gostosa, cuidamos dos pets ou temos bons momentos entre família e amigos. É diferente de criar algo no mundo, pois tem a ver com vivenciar. E não necessariamente tem a ver apenas com prazeres, mas com algo mais profundo com relação ao que realmente importa para cada um. E isso é ilimitado.
  • De atitude: são as reações frente a situações que não temos controle, como doenças e morte. É a atitude relacionada à valentia, força, fé, coragem e sentimentos que ajudam a dar sentido à vida.

Dicas

A nossa frustração ao organizar propósitos e metas pode ser diminuída se tivermos um plano, mesmo que de curto prazo, sobre o que precisamos fazer. Para Denise, é importante ter cautela e foco na hora de definir as expectativas para 2021. “Mais do que pensar sobre o que você gostaria de fazer, que tal pensar sobre o que você precisa fazer? Porque esse processo exige ressignificação de questões comportamentais pessoais e profissionais”, provoca.

Ela elencou algumas questões que podem orientar a criação de uma lista para o ano novo:

  • Quais competências serão exigidas de mim em 2021?
  • O que posso fazer para ajudar a minha empresa a crescer?
  • Como fazer a diferença para os meus clientes? Eles continuarão comprando os meus produtos e serviços?
  • Temos planos de contingência para futuras vulnerabilidades?
  • Quais funções e cargos não existirão mais e quais irão surgir ou têm surgido com rapidez? Eu sou um profissional competitivo diante deste cenário de mudanças?
  • Como ajudar profissionais que foram demitidos e precisam se recolocar?

Para Carol, esperança é a palavra-chave para conseguirmos fomentar cada vez mais nossa capacidade de criar a partir da dificuldade, se apoiar e cuidar da nossa rede de apoio. “Também vale sempre investir em autoconhecimento para ter clareza do que realmente importa e ir atrás de metas que são realmente significativas e que se alinham com nosso propósito de vida.”

Como você vai organizar propósitos e metas para 2021? Conte para a gente!

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