Crescimento profissional

Especialista compartilha as principais tendências para 2023 em carreira, gestão de pessoas e ambiente corporativo

Entrevistamos a professora e consultora Denise de Moura sobre os desafios e como caminhará o mundo corporativo no próximo ano

Postado em 13 de dezembro de 2022

8 minutos de leitura

Nathalia Aparecida Salvador

Especialista compartilha as principais tendências para 2023 em carreira, gestão de pessoas e ambiente corporativo
Especialista compartilha as principais tendências para 2023 em carreira, gestão de pessoas e ambiente corporativo

O mundo do trabalho passou por aceleradas mudanças nos últimos anos, que levaram empresas e profissionais a terem novas exigências na contratação.

O que nos trouxe o questionamento: quais são as tendências para o ambiente corporativo em 2023, com o mundo se recuperando da pandemia e novos modelos de trabalho se estabelecendo?

Para responder a esta e outras dúvidas, conversamos com a especialista e consultora Denise de Moura, professora da Plataforma Solution nos cursos Liderança e Líder Coach e Comportamento Organizacional.

Denise contou sobre as características do profissional global e quais os pontos de atenção para uma empresa estar preparada para 2023. Imperdível! Continue a leitura e saiba mais.

PS: Quais foram os principais desafios enfrentados em 2022 em gestão de pessoas?

Denise: Inúmeros foram os desafios em gestão de pessoas no ano de 2022. Importante lembrar que os profissionais retornaram aos seus locais de trabalho após quase dois anos em home office, muitos estão trabalhando de forma híbrida e muitos foram contratados por empresas que não tiveram a oportunidade de conhecer fisicamente, localizadas no Brasil ou no exterior.

Além disso, fala-se hoje no profissional global, pois com a consolidação do home office em diversas organizações, muitas pessoas foram contratadas por multinacionais ou trabalham muito distantes da região da sede da empresa e suas equipes estão localizadas no Brasil e em outros países.

Só isso já nos remete a alguns desafios tanto por parte das empresas como por parte dos profissionais.

Para as empresas, será necessário:

- Trabalhar o engajamento e o sentimento de pertencimento destes profissionais;

- Fortalecer sua cultura organizacional e seus valores;

- Trabalhar a diversidade e a inclusão.

Para os profissionais, será necessário:

- Saber lidar com equipes multiculturais de forma efetiva e assertiva;

- Dominar idiomas;

- Ser flexível aos inúmeros desafios que ainda estão por vir.

Mas os desafios não param por aí. As empresas que conseguiram sobreviver à pandemia, se reinventaram e tiveram que implementar novas tecnologias, novos processos de trabalho, além de criar e destituir postos de trabalho. Isso tem exigido novas habilidades e competências dos profissionais que, mais do que nunca, não podem parar de estudar.

A expressão ‘lifelong learning’, tão debatida e comentada nos dias atuais, mostra que os profissionais precisarão estudar e se capacitar continuamente em um futuro ainda incerto, mas marcado por:

- Rápidas transformações tecnológicas,

- Necessidade de criação de novos produtos e serviços que atendam às demandas diferenciadas dos clientes,

- Atenção à diversidade, inclusão e sustentabilidade.

Assim, outros DESAFIOS surgiram:

  • Muitas empresas reconhecem que tiveram dificuldades em ocupar vagas muito técnicas, pois falta qualificação dos candidatos;

  • Foi exigida das empresas uma dose extra de inovação e criatividade que acompanhasse as rápidas transformações;

  • Necessidade de formar líderes genuínos que conseguissem se comunicar de forma efetiva com suas equipes, muitas vezes atuando em home office.

Quando falta confiança aumenta o controle e este último é extremamente contraproducente na formação de equipes de alta performance. As lideranças precisam confiar em suas equipes e nas entregas delas.

PS: Quais são as habilidades / competências essenciais para o trabalho em 2023?

Denise: Pensando nos profissionais, deixo aqui uma imagem que retrata os comportamentos necessários de um profissional global.

Também será necessário desenvolver outras competências que têm sido elencadas pelo Fórum Econômico Mundial, a exemplo de liderança e poder de influência (protagonismo das nossas ações e do nosso aprimoramento pessoal e profissional), resiliência, inteligência emocional, persuasão, negociação e, sobretudo, orientação de serviço e avaliação de sistemas. Estas duas últimas estão voltadas diretamente à experiência do cliente e ao uso de tecnologias que facilitem esta experiência.

Se pensarmos bem, os produtos têm se tornado commodities em virtude de vários fatores, a exemplo da necessidade das organizações de se enquadrarem às normas de qualidade cada vez mais exigentes. Isto é ótimo para os clientes e altera sua decisão de compra.

Nos dias atuais, muitas pessoas escolhem uma marca em virtude da reputação da empresa. Vamos a um exemplo: se os produtos de duas empresas concorrentes são semelhantes até em preço, e cumprem a mesma função, o cliente tende a optar pela marca que vem a sua memória quanto a sustentabilidade, cuidado com o meio ambiente, cuidado com as pessoas, experiência positiva já vivenciada e assim por diante. Os clientes estão mais atentos à empresa que fornece o produto e não somente ao produto em si.

Neste sentido, não apenas os profissionais precisarão aprimorar continuamente suas competências individuais, mas as empresas também. Não basta fazer uma simples gestão de risco, identificando ameaças e oportunidades. Faz-se necessário trabalhar a resiliência de forma estratégica, e a crise da pandemia da COVID-19 mostrou isso às empresas.

As empresas precisarão:

- Desenvolver uma visão holística dos seus processos internos e externos, fazendo análises sistemáticas de cenários e da gestão financeira, parcerias com stakeholders, trocas de experiências, monitoramento das tecnologias (cuidado ao ataque de hackers).

- Atuar em uma possível fragmentação da cultura organizacional.

- Trabalhar a gestão do conhecimento das suas equipes, o sentimento de pertencimento e o engajamento delas.

- Dar atenção à saúde física e mental dos seus funcionários e propor um ambiente de segurança psicológica em que as pessoas possam falar e debater seus pontos de vista sem sofrer represálias, e assim por diante.

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PS: "Sobra vaga e falta gente", isso é verdade? O que acontece?

Denise: Há dois pontos importantes nesta questão específica. Dependendo do cargo e da função, as empresas têm encontrado dificuldades em preencher suas vagas, e isto ocorre por vários motivos. Dentre eles é possível citar as competências necessárias exigidas pela vaga que o candidato muitas vezes não possui. Como mencionado anteriormente, os debates sobre lifelong learning eclodiram muito no período da pandemia, para mostrar que as pessoas precisarão estudar continuamente (independente se a empresa provê capacitação) se quiseram sobreviver a um mercado de extrema competitividade.

Por outro lado, devemos ter um olhar humano e cuidadoso a um grupo de pessoas que sofrem discriminações e não conseguem chegar ao mercado de trabalho no cargo ao qual estão pleiteando, como as mulheres pretas e os(as) PcDs (pessoas com deficiência). Hoje fala-se muito em recrutamento às cegas, justamente para evitar vieses inconscientes por parte dos recrutadores que, em alguns casos, acabam por recrutar pessoas com perfil que eles acreditam ser importante para a área, sem a preocupação genuína na diversidade e inclusão.

Conheço alunos com deficiência que têm um segundo idioma fluente, pós-graduação e muita vontade de fazer diferença, mas só conseguem participar de processos seletivos em cargos muito abaixo das suas competências. Não estou jogando para as empresas esta responsabilidade, sobretudo porque políticas públicas de base são necessárias e fundamentais, mas este cuidado durante o recrutamento também é de extrema relevância por parte das organizações. Grupos diversos têm trazido ricas contribuições para os resultados operacionais, mas para isso, as empresas precisam estar abertas a contratação de grupos diversos.

O outro lado desta questão diz respeito ao próprio candidato. Se por um lado as empresas mencionam que não encontram pessoas capacitadas para preencherem uma vaga, por outro os profissionais passaram a olhar o seu trabalho de uma forma diferente. Um salário justo e condizente com a função, um ambiente de trabalho ético e acolhedor, uma liderança genuína e participativa, programas de carreira e a oportunidade de fazer a diferença no mundo, deixando um legado são pontos que os candidatos têm mencionado bastante que buscam em uma organização quando da candidatura a uma vaga de emprego.

Assim, as empresas precisam trabalhar continuamente sua marca empregadora, mostrando aos candidatos que o propósito de vida deles pode ser encontrado dentro da organização ao qual estejam pleiteando uma vaga.

O ex-ceo da empresa Elektro, Márcio Fernandes, menciona uma frase que costumo citar muito em minhas aulas: as empresas não devem reter as pessoas, mas criar encantamento para que as pessoas as escolham.

Assim, se as empresas desejam ocupar suas vagas com candidatos aptos para a função e que compactuam com seus valores, precisam criar encantamento a estes candidatos, com uma política justa de salários e benefícios, uma marca e reputação fortes no mercado e um cuidado genuíno para com seus clientes internos e externos, fornecendo produtos e serviços que contribuam para o país.

PS: Quais profissões / áreas estarão mais em alta no próximo ano?

Denise: As áreas que têm sido apontadas como promissoras para o próximo ano são:

  • Tecnologia;

  • Pesquisa & Desenvolvimento de novos produtos e serviços que atendam às demandas diferenciadas dos clientes;

  • Setores específicos que trabalham a experiência do cliente como Relacionamento, Comunicação, Marketing e Recursos Humanos.

O setor do agronegócio se mostra muito otimista também e, de uma forma geral, as empresas que implementarem ações voltadas à sustentabilidade, meio ambiente, cuidado com as pessoas e reputação da sua marca e de seus valores estarão em alta. Não adianta mais apenas fabricar e vender um produto ou serviço, por mais útil que ele seja. Trazer compreensão para o cliente interno e externo sobre como este produto ou serviço contribui para o planeta fará toda a diferença.

PS: O que é fundamental para um profissional estar preparado para o mercado de trabalho de 2023?

  1. Não parar de estudar e ser protagonista do seu autodesenvolvimento.

Ler livros, escutar podcasts, fazer cursos de aprimoramento, trocar ideias, ampliar sua rede de contatos, seguir empresas que têm uma pegada voltada ao cuidado com as pessoas e com o planeta e trabalhar constantemente sua “marca pessoal”.

  1. E os meus pontos fracos?

Costumo mencionar nas minhas aulas que todos nós temos pontos fracos e estes só devem ser trabalhados se estiverem trazendo um impacto negativo em nossos resultados. Caso não estejam, deixe o ponto fraco ali no cantinho.

  1. Aprimorar-se e contribuir significativamente com as pessoas a sua volta

Devemos investir nosso tempo no aprimoramento dos nossos pontos fortes. Se já somos bons em algo, devemos ser os melhores em nossa área de atuação. As empresas buscam pessoas que saibam resolver problemas complexos, sejam flexíveis e abertas a mudanças, busquem continuamente seu desenvolvimento pessoal e profissional e possam contribuir de forma significativa com outras pessoas a sua volta – sejam parceiros de trabalho, de negócios ou clientes.

PS: O que é fundamental para uma empresa estar preparada para o mercado de trabalho de 2023?

  1. Sobre a gestão e os líderes

Formar gestores humanos que estejam preocupados em dar resultados não a qualquer custo, mas através de equipes capacitadas e engajadas.

Sim, as lideranças têm papel fundamental no engajamento das pessoas que lidera, assim como na formação de equipes de alto desempenho. Não há mais espaço para uma gestão autocrática que gerencia no formato ‘manda quem pode obedece quem tem juízo’.

  1. Engajamento dos colaboradores

Quanto ao engajamento das pessoas, este pode ser catalisado com capacitação contínua, autonomia, sentimento de realização e reconhecimento – pontos estes diretamente voltados ao comportamento da liderança.

  1. Modalidade de trabalho

Outro ponto diz respeito à modalidade de trabalho. Muitas empresas já estão optando por modelos híbridos de trabalho ou home office. Neste sentido, se não houve tempo, durante a pandemia, de organizar este processo, agora será importante trazer de forma clara “as regras do jogo”.

As empresas precisam trabalhar com foco nas entregas, muito mais do que em horas trabalhadas. Os líderes precisam confiar nas pessoas, ter uma comunicação clara e transparente com suas equipes continuamente e as equipes têm que ter clareza sobre o que é esperado delas nesta nova modalidade de trabalho. Muitos profissionais foram contratados durante a pandemia e moram distante da sede da empresa. Como a empresa lidará com esta situação específica?

  1. Saúde mental

Outro ponto é um olhar cuidadoso à saúde mental e física dos seus profissionais. A pandemia foi complexa para a maioria de nós e muitas pessoas adoeceram ou perderam entes queridos. Como estão estas pessoas emocionalmente?

  1. Reputação – o que pensam sobre você?

E uma questão específica já mencionada aqui: muito mais do que oferecer um produto ou serviço de qualidade, as empresas precisam se posicionar no mercado com uma reputação positiva de cuidado com seus funcionários, com as pessoas envolvidas em sua cadeia produtivas, com a comunidade e com o país. Vender um produto ou um serviço para ganhar dinheiro somente e ser rentável deve estar em segundo plano. As empresas precisam trazer clareza sobre como seus produtos e serviços fazem a diferença e podem resolver problemas das pessoas.

 

 

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